São José dos Campos, SP, 14 (AE) - A Academia Brasileira de Letras (ABL) liberou o traslado dos despojos do poeta Cassiano Ricardo para São José dos Campos - sua terra natal. A informação foi confirmada hoje pela família do imortal, Segundo a neta do escritor, Regina Célia Ricardo Gianesella, a transferência para o Vale do Paraíba ocorrerá no final de julho. A data ainda vai ser definida pela comissão formada pelo prefeito Emanuel Fernandes para acompanhar os trabalhos. "Estamos realizando o último desejo do meu avô e será sua última grande homenagem", disse Regina.
Há quase 13 anos a família de Cassiano Ricardo vem solicitando à direção da ABL o traslado dos restos mortais que estão no mausoléu da entidade, no RJ. Ele morreu em 14 de janeiro de 1974, aos 79 anos. O poeta, o primeiro imortal do Vale do Paraíba, sempre expressou seu desejo de ser enterrado na terra natal. Além de cartas, comunicados aos familiares, o literato deixou dois poemas falando sobre isso - "Queixa Antiga" e o "Última Vontade". Cassiano chegou a comprar, em meados da década de 60, um terreno no cemitério público de São José dos Campos.
Na época da morte do poeta, o então prefeito do município, Sérgio Sobral de Oliveira, se recusou a fazer a transferência do corpo para a cidade. Apesar de o irmão mais novo do poeta, Aristides Ricardo, ter reforçado o pedido em um longa e emocionada carta remetida ao executivo municipal. " Isto representa o reconhecimento do poeta em sua terra e a recuperação de sua memória", afirmou hoje Regina.
O pedido de remoção foi formalizado pela família em janeiro deste ano, em carta do filho do poeta, Cassiano Ricardo Filho e Célia Cecília Ricardo Gianesella, ao presidente da academia, Arnaldo Neskier. O documento foi encaminhado pelo poeta Ledo Ivo, amigo do poeta e que sabia do desejo de Cassiano Ricardo em ser enterrado em sua cidade.
Na época da morte de Cassiano Ricardo, o enterro deixou de ser feito em São José dos Campos por interferência da terceira mulher do poeta, que decidiu deixá-lo no mausoléu da ABL. "Ser sepultado no Rio contrariou tanto a vontade do meu avô como de todos seus parentes", afirmou Regina.

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