Brasília, 08 (AE) - O gasto com a manutenção dos 443 apartamentos funcionais dos deputados poderá ser o dobro do que estava na previsão orçamentária da Câmara dos Deputados para 1999. Segundo informação da Mesa Diretora, no dia 31 de outubro a despesa com manutenção e conservação desses imóveis já havia superado em R$ 1,434 milhão o gasto inicial que estava previsto para ser de R$ 4,845 milhões durante todo o ano. Na resposta enviada hoje ao ofício encaminhado pelo deputado Márcio Bittar (PPS-AC), a mesa diretora informou que o gasto já era de R$ 6 279 milhões.
Pelas projeções feitas por Bittar, a despesa com os apartamentos funcionais deverá superar R$ 8 milhões só nesse ano
já que ainda falta contabilizar as despesas dos meses de novembro e dezembro, além do 13º salário pago aos funcionários que trabalham nesses prédios. Mas para o deputado acreano, o mais grave é que boa parte desses imóveis está desabitada.
Num levantamento feito por seu gabinete em abril, do total de apartamentos, 177 estavam vazios. "Em compensação, quase metade dos deputados recebe auxílio-moradia, que é de R$ 3 mil"
diz Bittar, informando que esse ano o gasto esse tipo de ajuda de custo deve chegar aos R$ 7,2 milhões.
Ele explica que a tendência na Câmara é que os deputados passem a optar pelo auxílio-moradia ao invés de morar nos apartamentos. "As distâncias estão cada vez menores e por isso o deputado prefere deixar a família na cidade de origem", disse. "Outro fator que pesa na escolha da ajuda de custo é que ela serve como complemento do salário do deputado que está baixíssimo."
Para Bittar, a manutenção dos apartamentos funcionais está tornando-se cada vez mais problemática e dispendiosa. "É um tremendo abacaxi", avalia. "É bom lembrar que o gasto com os apartamentos vazios é quase a mesma coisa do custo com o imóvel habitado", argumenta ele, lembrando que é preciso colocar a mesma estrutura de manutenção e apoio de todo o prédio. A Câmara também é responsável pelos móveis dessas moradias. Por isso, o deputado acreano defende a venda desses imóveis. O assunto chegou a ser discutido no início do ano pela mesa diretora, mas foi arquivado depois da notícia de que os deputados estariam interessados em comprar os próprios imóveis com condições especiais de pagamento.
Atualmente, o preço mínimo de cada apartamento funcional está avaliado entre R$ 240 mil e R$ 300 mil. Caso todos os apartamentos sejam vendidos, poderá render cerca de R$ 110 milhões. "É preciso que a Câmara fique livre desse elefante", defende Bittar.

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