Desperdício, um mal que acentua a fome
Dados do Banco Mundial estimam que a população urbana vai a ultrapassar a população rural no ano de 2005. Atualmente, 75% da população dos países desenvolvidos vivem na zona urbana, contra apenas 38% dos países em desenvolvimento. Nos próximos 20 anos, 93% do crescimento urbano mundial deve acontecer nos países pobres, em função da alta taxa de natalidade. Na cidade asiática de Daca, em Bangladesh, com nove milhões de habitantes, a taxa de crescimento demográfico é de 5% ao ano, ou seja, 1.300 pessoas por dia.
Os mesmos estudos do Banco Mundial demonstram que, alimentar uma cidade de milhões de habitantes envolve a produção e distribuição de diversas toneladas por dia. Em uma cidade com cerca de 10 milhões de pessoas, como Manila, capital das Filipinas, Cairo, capital do Egito, ou Rio de Janeiro, são necessários, no mínimo, 6 mil toneladas de alimentos por dia.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), à medida que ocorre a explosão demográfica na zona urbana dos países em desenvolvimento, como o Brasil, as cidades vão se expandindo desordenadamente, sem condições físicas para abrigar tantas pessoas. O objetivo da FAO é atuar, principalmente, junto aos governos municipais, no sentido de buscar soluções conjuntas que assegurem o abastecimento das populações, preparando o caminho para a criação de cidades sustentáveis no século 21.
Outra grande preocupação da FAO é diminuir o índice de desperdício de alimentos que, entre a produção e comercialização, variam entre 10% e 30%. As perdas são mais significativas nas cidades do que na zonas rurais. Na Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa), entre Londrina e Ibiporã, que abastece as cidades da região, um volume considerável de hortifruti não é comercializado diariamente. O destino dos produtos, parcial ou totalmemte deteriorados, é a caçamba de lixo. Reaproveitar esses alimentos e doar para entidades assistenciais é tarefa do Projeto de Cooperação Nutricional (Coopnutri).
A presidente da Coopnutri, Itamar Kedma, explica que mensalmente 80 toneladas de alimentos são recuperados dentre as sobras, atendendo a hospitais, associações de caridade e igrejas de cidades do Norte do Paraná. Os dois funcionários da Coopnutri trabalham na seleção, divisão dos produtos e no controle das doações. Eles são remunerados com a taxa simbólica de R$ 10,00 paga por mês pelas entidades. As sobras da Coopnutri são doadas para criadores de animais.
O aposentado José Sebastião, 67 anos, de Ibiporã, é visitante assíduo da Ceasa. Empurrando uma carroça, do patrão, Sebastião chega às 6 horas e fica até as 10 horas. É uma fartura o que a gente encontra por aqui, conta. Segundo Sebastião, depois que começou a buscar alimentos na Ceasa, a família dele nunca mais passou fome. Cebolas, bananas, acelga, tudo de primeira, afirma.





