São Paulo, 23 (AE) - O desperdício de materiais de construção nos canteiros de obras do País representa até 10% do custo total da obra. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada pela Escola Politécnica da USP, com o apoio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), do Ministério da Ciência e Tecnologia, Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem) e Instituto Brasileiro de Tecnologia e Qualidade da Construção Civil.
O levantamento, concluído no final de 98, foi realizado em 99 canteiros de obras espalhados por 12 Estados brasileiros e contou com a participação de 16 universidades brasileiras, que avaliaram 18 tipos de materiais. O resultado do estudo foi divulgado hoje durante o Simpósio Nacional de Desperdício de Materiais nos Canteiros de Obras, realizado na Escola Politécnica da USP, em São Paulo.
Segundo o coordenador da pesquisa, engenheiro Vahan Agopyan, vice-diretor da Escola Politécnica, o principal resultado do estudo é que a partir dele pode-se concluir que há construtoras trabalhando muito bem no País e outras estão num estágio muito precário. Ele cita o exemplo do uso do concreto usinado, que apresentou no estudo perdas que variam de 2% a 28%, resultando num valor médio de desperdício de 9%. "Isso mostra que algumas construtoras brasileiras têm qualidade equivalente aos melhores padrões internacionais", avalia ele. De acordo com o engenheiro, um índice de desperdício ideal deveria ficar abaixo de 5%.
As causas de desperdício, segundo Agopyan, vão desde o armazenamento mal feito, recebimento menor do que a compra, transporte interno na obra inadequado, falhas de aplicação e até projetos mal elaborados, que induzem à perda. O professor disse ainda que a meta do programa Alternativas para Redução do Desperdício de Materiais nos Canteiros de Obras, coordenado pela USP, é conseguir reduzir as perdas, num primeiro momento, de 10% para 8%. Para isso, explica ele, o programa pretende envolver as construtoras em um processo de otimização, visando a diminuição de perdas. O Simpósio que começou hoje, segue até amanhã, no prédio de administração da Escola Politécnica.

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