Despejo da Fazenda Maria ¶ngela será decidido hoje GERAL
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Piracicaba, 15 (AE) - O destino das 1,2 mil famílias de sem-terra do Acampamento Nova Canudos, que desde o último dia 5 ocupam a Fazenda Maria ¶ngela, em Piracicaba, a 150 quilômetros de São Paulo, será decidido amanhã. Lideranças do Movimento dos Sem-Terra (MST), os donos da área e o comandante do 10º Batalhão de Policiamento Militar, tenente-coronel Artur Roberto de Amaral Brisola, reúnem-se às 15 horas com o prefeito de Piracicaba, Humberto de Campos (PSDB), para discutir a saída dos invasores. A ordem de despejo foi dada dia 6 pelo juiz Joel Antunes, da 6ª Vara Cível de Piracicaba. O prazo para a saída espontânea, dado na semana passada, venceu sábado, mas os sem-terra permaneceram na área.
Segundo o coordenador estadual do MST e líder do acampamento João Paulo Rodrigues não foi encontrado um local para a transferência das famílias. O MST pretendia que o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) indicasse uma área para alojar provisoriamente o acampamento mas, segundo Rodrigues, nada foi feito. O dono da fazenda, Joseph Moutran, quer o cumprimento imediato da ordem judicial. "Não podemos nem pensar em dar mais prazo, pois estamos tendo prejuízos enormes com a invasão", disse. A área é usada para criação de gado de leite e o uso dos pastos está prejudicado, segundo ele. Os sem-terra ocupam também uma faixa de domínio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) nas margens da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147), mas o órgão também obteve a reintegração de posse.
O tenente-coronel Brisola disse que se não houver acordo para a saída pacífica amanhã, o despejo pode ser executado a qualquer momento. "A operação está planejada." Segundo Rodrigues, o governador Mário Covas não cumpriu a promessa de encontrar uma área para abrigar as famílias, feita quando os sem-terra estavam acampados em Anhembi, município vizinho, entre o fim do mês passado e o início deste. Os sem-terra querem que o governo discrimine 3,8 mil hectares de terras devolutas existentes em Anhembi para assentar as famílias.


