As 36 famílias sem-terra despejadas de uma fazenda no município de Espigão Alto do Iguaçu (Sudoeste do Estado), no dia 15 de junho, começam a ser transferidas hoje para o município de Quinta do Sol (43 quilômetros ao norte de Campo Mourão). Com isso, encerra-se uma situação altamente polêmica, pois as famílias haviam ocupado a área em 86, e em 95 foram reconhecidas como assentadas pelo Incra. Mesmo assim, houve ordem judicial de reintegração de posse, o que provocou enérgicos protestos do MST e mobilização de prefeitos da região.
Desde o despejo, as famílias estão alojadas em precárias condições em um ginásio de esportes de Espigão Alto do Iguaçu. Como resultado da intervenção de prefeitos da associação Cantuquiriguaçu, que representa municípios da região, no final de maio o Incra ofereceu a área em Quinta do Sol, na Fazenda Roncador (próxima ao Rio Ivaí), de sua propriedade já há algum tempo. Os sem-terra aceitaram, hoje serão transferidas as primeiras dez famílias, e nos próximos dias as demais, em ônibus oferecido pela Prefeitura de Espigão Alto do Iguaçu, e as mudanças em caminhões do Incra.
O prefeito de Espigão Alto do Iguaçu, José Nilson Zgoda (PTB), classificou o desfecho para o caso como ‘‘é fruto do diálogo’’. O superintendente do Incra, José Carlos Araújo Vieira, enalteceu a participação dos prefeitos no processo, o que, segundo ele, demonstra as possibilidades da ‘‘municipalização da reforma agrária’’. Os prefeitos se preocuparam especialmente com a situação decorrente de um despejo em área já ‘‘pacífica’’ e com as famílias já tendo consolidadas atividades na terra, mesmo havendo discussão judicial entre Incra e proprietários.
Os donos da fazenda, a família Bonotto, não aceitaram valores propostos para indenização, e recorreram ao Supremo Tribunal Federal, conseguindo reintegrar-se na posse. No despejo, feito pela Polícia Militar, foram demolidas as casas dos lavradores, muitas delas de alvenaria. Agora, provisoriamente, no novo local, receberão do Incra cestas básicas até produzirem seus próprios alimentos e lonas plásticas para barracos. A seguir, receberão recursos para a construção de casas e outros investimentos.

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