Curitiba - Todas as desocupações de áreas invadidas e ações de reintegração de posse no Paraná serão filmadas e acompanhadas pela imprensa e pelo Ministério Público. A medida é uma determinação do governador Roberto Requião (PMDB), em decorrência da violência sofrida por integrantes do Movimento do Trabalhadores Sem Terra (MST) na Fazenda Alvorada, em Lindoeste (50 quilômetros ao sul de Cascavel), no sábado passado. A ação culminou com o afastamento do comandante do batalhão de Cascavel e de dois oficiais.
A partir de agora, todas as operações policiais de desocupação e reintegração de posse deverão ser referendadas ao comando da Polícia Militar (PM). ''Tanto as ações do Comando de Policiamento do Interior como o Comando de Policiamento da Capital sofrerão avaliação'', afirmou o comandante da PM no Paraná, coronel David Pancotti. Segundo ele, o governo estadual fará uma avaliação jurídica de cada situação e a partir disso a PM vai agir. ''Vamos cuidar da parte operacional da atividade de reintegração. Não temos competência para determinar que áreas podem ser desocupadas ou não'', acrescentou.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) está fazendo a avaliação da reintegração de posse da unidade de pesquisa da Monsanto, em Ponta Grossa, decretada pelo juiz do Tribunal de Justiça (TJ), Salvatore Antônio Astuti. De acordo com o procurador-geral, Sérgio Botto de Lacerda, o governo não quer cometer ingerência nas decisões judiciais. ''Queremos apenas fazer análises mais completas da situação'', afirmou. Ele citou o exemplo de uma área em Campina da Lagoa, que o proprietário obteve direito de reintegração, mas que estava em vias de ser desapropriada. ''Não havia sentido desocupar uma área para a qual as famílias deveriam ser levadas depois'', explicou.
Cerca de 150 sem-terra permanecem acampados em uma área de 43 hectares da Monsanto desde sexta-feira passada. Um dos líderes do acampamento, Célio Rodrigues, confirmou que foi notificado ontem da decisão de reintegração de posse, mas o grupo não quer deixar o local. Eles são contra a liberação de transgênicos no Brasil. ''Não devemos nada à polícia por isso não temos medo. Queremos apenas trabalhar'', disse Rodrigues.
As desocupações também serão acompanhadas pela Comissão Especial de Mediação das Questões da Terra, presidida pelo secretário de Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann. Ele está se informando sobre a situação da Monsanto para mediar negociações entre a empresa e o MST.

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