Belém, 30 (AE) - A desocupação das fazendas Taba e Mari-Mari, na ilha de Mosqueiro, distrito de Belém, está suspensa até a próxima quinta-feira, por determinação do secretário de Defesa Social do Pará, Paulo Sette Câmara. Ele esteve reunido na manhã da última sexta-feira com representantes de movimentos sociais e da prefeitura, que pediram um prazo, aceito por Sette Câmara, para tentarem derrubar na Justiça a liminar de reintegração de posse concedida pela Justiça em favor dos proprietários das duas fazendas.
O secretário avisou que se até lá o problema não for resolvido, a Polícia Militar irá cumprir a ordem de despejo. Os líderes de movimentos sociais e entidades disseram ao secretário que pairam muitas dúvidas sobre a legalidade dos mandados de reintegração de posse.
Em relação à fazenda Taba, um dos coordenadores regionais do MST, Raimundo Nonato Coelho de Souza, foi taxativo: "Ninguém tem qualquer pretensão em deixar a fazenda". E acrescentou que o MST vai pedir a desapropriação da área ao Instituto de Terras do Pará (Iterpa).
No caso da fazenda Mari-Mari, o diretor de Assuntos Fundiários da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), Antonio de Souza, apresentou uma proposta de viabilidade sócio-econômica e ambiental para fazer o assentamento das famílias na área.
O projeto envolveria o aproveitamento da terra pelos agricultores, mas sem devastação ou queimadas que compromotessem o solo da fazenda. O dirigente da Fetagri disse que a permanência dos acampados também dependeria de uma negociação com o Incra.
Violência - O padre Adriano Sella, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Pará, demonstrou sua preocupação com a possibilidade de haver violência por parte da PM durante o despejo, sugerindo que uma solução negociada fosse encontrada para evitar mais sofrimentos para as famílias acampadas. Ele também defendeu a permanência dos agricultores nas duas áreas.
A advogada Marta Barriga, da Secretaria de Assuntos Jurídicos da prefeitura de Belém, observou que as liminares de reintegração de posse concedidas por uma juíza aos supostos proprietários das duas fazendas serão imediatamente contestadas no Tribunal de Justiça do Estado.
Ela disse que a prefeitura não pode agir porque esbarra na questão judicial. Além disso, não há o interesse da prefeitura em adquirir áreas para fins de desapropriação com base na reforma agrária.

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