Desnutrição ainda é fenômeno frequente e problema sério de saúde pública no Brasil. Nos hospitais, pacientes desnutridos representam uma situação ainda mais grave, já que são mais suscetíveis a infecções, e demoram mais tempo para se recuperar.
A nutricionista Anne Cristine Rumiato, da Comissão de Suporte Nutricional (CSN) do Hospital Universitário (HU) de Londrina e professora da Unopar, alerta que é comum o paciente já chegar desnutrido ao hospital. E lá dentro a situação pode se agravar ainda mais.
''O que se percebe é que quanto mais tempo internado, mais a desnutrição se agrava'', afirma a gastroenterologista Evelin Ogatta Muraguchi, da equipe de terapia nutricional do HU, citando que depois de três semanas de internação 60% dos pacientes estão desnutridos. ''A desnutrição é a doença mais prevalente dentro do hospital, mais que a septicemia'', avalia.
Gerente do setor de nutrição do Hospital Evangélico e professora da Unifil, a nutricionista Inês Wollf explica que isso acontece porque o ambiente hospitalar é ''desnutridor''. O paciente deixa de se alimentar, seja pelos horários das refeições, que são diferentes das de casa, da própria refeição que é diferente, ou por ter que dividir o quarto com outros pacientes, com doenças diversas. Algumas medicações podem alterar o paladar e colaborar para a falta de fome, assim como a dor, que aumenta a anorexia.
A última pesquisa feita no Hospital Universitário (HU) em Londrina, em 2003, com 670 pacientes, mostrou que 25% dos internados estavam desnutridos. Desse total, 5% tinham desnutrição grave. Os números mostram que a situação melhorou depois que um levantamento feito em 1996 pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral Enteral (SBNPE) alertou para o problema da desnutrição dentro dos hospitais. Na época, o Inquérito Brasileiro de Avaliação Nutricional Hospitalar (Ibranutri) constatou-se que 48% dos pacientes já chegavam ao hospital com algum grau de desnutrição.
Chegar desnutrido ao hospital pode significar uma recuperação mais lenta, e até prejuízo para alguns procedimentos cirúrgicos. Segundo a médica, a perda de 10% do peso corporal equivale a perda de 15% a 20% de proteína, substância que é responsável pela formação de anticorpos, pelo transporte dos medicamentos dentro do organismo, e necessária para a cicatrização. A proteína também atua na formação de massa muscular, essencial no caso de uma pneumonia, por exemplo, em que se depende dos músculos para expulsar as secreções e ventilar de forma adequada. ''Como a imunidade cai, o paciente fica mais sujeito à infecção hospitalar. É um círculo vicioso, a desnutrição aumenta o tempo de internação, e quanto mais tempo internado, mais aumenta a desnutrição'', alerta Inês.
O paciente desnutrido, segundo Evelin, fica o dobro do tempo internado e as complicações podem acontecer em 42% daqueles que têm desnutrição grave. ''Alguns autores falam que a mortalidade é 19 vezes maior em desnutridos graves'', alerta Evelin. A pesquisa feita em 2003 no HU mostrou que o tempo de internação médio para pacientes normais era de 14 dias, aumentando para 18 no caso de pacientes com desnutrição moderada, e 24 dias para desnutridos graves.
Vencer a desnutrição é relativamente simples e segundo dados da SBNPE é compensador: a cada R$ 1 investido em nutrição, economizam-se R$ 4 em gastos com internação.

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