Desnutrição atinge 10% das crianças da reserva
A desnutrição da indiazinha Liliane Marcondes que morreu segunda-feira é comum a cerca de 10% das crianças indígenas da Reserva do Apucaraninha, segundo a médica Vera Lúcia Pozzobon, do Programa Saúde da Família. Das 400 crianças da reserva, mais de 40 são desnutridas.
E não é só em Londrina que os indígenas sofrem de desnutrição. A antropóloga Marlene de Oliveira, do Programa de Atendimento à Terra Indígena do Apucaraninha, afirma que esse mal é frequente na maioria das aldeias indígenas do País.
O motivo são as mudanças dos hábitos alimentares dos índios. A desnutrição que a antropóloga chama de proteico-calórica não é por falta de comida. A mãe alimenta a criança todo dia, mas não com proteína, diz Marlene.
Antigamente, os Caingangues tinham mata, caçavam, pescavam, comiam tubérculos, coró (bicho que dá na árvore) e mantinham uma diversidade grande na alimentação. Em contato com o branco, eles abandonaram os antigos hábitos, mas não assimilaram novos hábitos saudáveis.
Marlene observa que as famílias comem carne com pouca frequência. Há um fator cultural. A mãe não percebe que a criança está desnutrida porque dá comida a ela todos os dias, conta.
O principal alimento hoje na reserva segundo ela é o arroz. Os salgadinhos Chips que fazem a alegria das crianças brancas também são os preferidos dos indiozinhos. O que dá muita diarréia neles, diz.
As crianças desnutridas recebem cesta básica, leite e a multimistura. Mas também por questão cultural explica Marlene esses alimentos duram pouco tempo porque toda a família acaba comendo. A noção de família do índio é diferente da nossa, é bem mais ampla.
Até o período de amamentação mudou entre os índios porque as mulheres estão tendo mais filhos. Antes de acordo com Marlene as mães amamentavam o filho durante dois, três anos. Agora, que elas não usam mais ervas medicinais com função anticoncepcional, diminui o tempo de amamentação por causa do nascimento de outro filho.(Carina Paccola)





