Campos do Jordão, SP, 04 (AE) - Quedas de barreiras nas estradas que servem Campos do Jordão, no interior de São Paulo, deixaram a cidade isolada hoje. Dois grandes desmoronamentos atingiram de 100 a 120 casas nos bairros Britador e Vila Santo Antônio, segundo o Corpo de Bombeiros. A prefeitura, porém, informou, que foram afetadas só 15 residências. Pelo menos três pessoas morreram soterradas, uma na Vila Santo Antônio e duas no bairro Britador, nesta madrugada. Morreram o cabeleireiro Cláudio de Oliveira, de 34 anos, e Maria Aparecida dos Santos, de 56.
Os trabalhos de resgate nas áreas atingidas foram suspensos no início da noite de hoje (04), quando voltou a chover forte na cidade. Apenas um corpo foi encontrado na Vila Santo Antonio e até as 21 horas não havia sido identificado. Não foi divulgado o número de feridos.
A rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123) está interditada. Não há previsão de desinterdição.A polícia rodoviária estadual proibiu o fluxo de veículos na estrada por volta das 16 horas, quando quatro grandes barreiras caíram nos quilômetros 41, 42, 43 e no pontilhão Gavião Gonzaga. A situação é crítica e as máquinas do DER trabalham no local tentando desobstruir pelo menos uma pista para dar passagem para algumas dezenas de veículos presos dos dois lados do bloqueio. Uma alternativa é a SP-50, que também está com problemas com barreiras e é muito perigosa.
O prefeito Oswaldo Gomes da Silva Filho (PSDB) decretou estado de calamidade pública. Hoje Parte do morro da Vila Santo Antônio deslizou às 14h30, lançando lama e pedras sobre várias casas. Uma hora mais tarde, houve outra queda de barreira no bairro Britador. Funcionários da prefeitura, bombeiros e Defesa Civil vasculham os bairros à procura de vítimas. Ainda não há um número oficial de mortos. Cerca de 2 mil pessoas estão sendo retiradas dos bairros Vila Santo Antônio e Britador. "A situação é grave", disse o prefeito .
As chuvas que caem na Serra da Mantiqueira desde o dia 31 aumentaram na madrugada. Há dezenas de pontos sob risco de desabamentos. Nos três primeiros dias do ano choveu 237 milímetros na cidade, o equivalente à média de 90 dias.
As chuvas minaram a resistência da encosta de mais de 100 metros de altura, onde há várias casas. A avalanche arrastou as construções e soterrou as que estavam na parte baixa da vila. A Defesa Civil estava removendo os moradores do local, porém, boa parte resistia à idéia. Durante toda a tarde, o secretário de Obras, Rubens Leme Júnior, faz apelos nas rádios pedindo às pessoas que deixassem as áreas de risco.
A prefeitura está pedindo auxílio a todas as outras cidades próximas e a doação de mantimentos, gêneros de primeira necessidades como roupas e medicamentos, colchões e cobertores. Há muitas crianças nos abrigos precisando de fraldas e leite. O prefeito havia decretado estado de calamidade pouco antes da tragédia. Prefeituras da região mobilizam-se para enviar reforços, máquinas e caminhões.
Na tarde de ontem, a Polícia Rodoviária interditou a Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, a SP-123, que liga o Vale do Paraíba a Campos do Jordão. Ninguém pode subir ou descer a serra.