Desmatamentos na Amazônia cresceram 31,4% em 97/98
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Sandra Sato 
Brasília, 11 (AE) - Os desmatamentos na Amazônia cresceram 31,4% no período de 1997/98 em comparação com 1996/97. Subiu de 13.227 quilômetros quadrados para 17.383 quilômetros quadrados a área desmatada, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje. A estimativa para 1999 - ainda não está concluída a pesquisa - é de uma pequena redução, para 16.926 quilômetros quadrados.
A Amazônia perdeu 14% de sua cobertura original, correspondente a 551.782 quilômetros quadrados, segundo dados registrados pelo Inpe em 20 anos de monitoramento da região com ajuda do satélite Landsat (1978-1998). Segundo o diretor do Instituto, Marcio Barbosa, 100 mil quilômetros quadrados do total desmatado foram destruídos no século passado, com a exploração da borracha. O levantamento do Inpe trata apenas dos desflorestamentos provocados pela agricultura e pecuária, excluindo a atuação das madeireiras. Segundo Barbosa, a exploração seletiva de madeiras é de difícil visualização nas imagens feitas por satélite e, por isso, é motivo de um estudo à parte.
O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, preferiu comentar dados preliminares de 1999, porque assumiu o ministério em janeiro daquele ano. Na sua opinião, os dados indicam uma reversão da tendência de crescimento nos desmatamentos. "Este ano é fundamental para verificar se a tendência de crescimento foi contida", disse o ministro. Ele disse que as prefeituras situadas no arco do desflorestamento - área mais crítica da Amazônia - fazem composições com o poder econômico local e estão comprometidas com madeireiras.
O ministro tentou mostrar que a previsão de queda para 1999 ocorreu graças às proibições de novos desmatamentos e de autorizações para transporte de produtos florestais, determinadas por ele, além da fiscalização com ajuda do Exército e Marinha por meio da operação Amazônia Fique Legal.
Críticas - O coordenador do Instituto Socio-ambiental (Isa), João Paulo Capobianco, acusou o ministro de tentar manipular os dados, durante a divulgação da pesquisa do Inpe. "É muita leviandade", reclamou, observando que o ministro escondeu da sociedade um dado "astronômico": o aumento de mais de um terço nos desmatamentos na região. "Não se faz democracia assim, mas sim discutindo a realidade", disse. Para ele, o aumento efetivo de 31,4% deveria ser o tema central da coletiva, ao contrário de o ministro minimizar esse fato e optar por comentar a "discreta possível queda" prevista nas projeções de 1999.
O assessor da senadora Marina Silva (PT-AC), Nilo Diniz, considera o índice de desmatamento muito alto. A taxa média de desflorestamento, no período de 1997/98, é de 0,48%, igual à registrada entre 1988/89. Essa taxa, segundo Diniz, foi manchete de jornais internacionais em 1988. Mas esse porcentual parece pequeno atualmente por causa da explosão registrada em 1994/95, quando a taxa de desmatamento subiu para 0,81%."A volta aos 0 48% revela que todos os cuidados nas áreas agrárias e de agricultura não surtiram efeito", lamenta.
Assentados - Quase metade dos desmatamentos ocorridos entre 1995 e 1998, na região amazônica, foram registrados em propriedades com menos de 100 hectares. "Os assentamentos são vetores de desmatamento", admitiu Sarney Filho, lembrando, no entanto, que há proibição de abertura de novos assentamentos na região. Mas quando se observa dados segundo o tipo de vegetação, observa-se desmatamento de grandes áreas densas de florestas ombrófila (conhecidas como a rain forest). O porcentual de desmatamento é de 13,24% em áreas superiores a mil hectares.


