São Paulo - No ano de 2002 foram desmatados 25.500 km2 na Amazônia Legal, uma área superior ao Estado de Sergipe (21.910km2). O índice é o segundo maior da história do monitoramento orbital, realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), nos últimos 15 anos, com base em imagens de satélites ambientais. Fica atrás apenas de 1995, quando foram derrubados 29.059 km2. O número foi calculado com base em 50 imagens de satélite de julho de 2001 a junho de 2002, na região conhecida como Arco do Desflorestamento, onde se concentra 75% da floresta alterada pelo homem.
O mesmo cálculo, correspondente ao ano de 2001, aponta para um total de 18.200km2, ou seja, o aumento na taxa anual de desmatamento, de um ano para outro ficou em torno de 40%. Uma reunião interministerial, com a participação dos ministérios do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Agricultura, além de algumas organizações não governamentais da Amazônia, foi convocada pela Casa Civil, para a próxima segunda-feira, para avaliar e detalhar os números e discutir um plano de ação para reverter a atual e acelerada tendência de aumento.
Para Ane Alencar, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), parte do desmatamento pode ser atribuída à abertura de grandes áreas de monocultura de soja, sobretudo no estado de Mato Grosso e em algumas localidades de floresta secundária, como Santarém (Pará). De acordo com a pesquisadora, as árvores destas matas secundárias já cumpriam de 80 a 85% do papel de uma floresta madura, ou seja, poderiam ser consideradas praticamente regeneradas.
Após a reunião interministerial de segunda-feira deve ser anunciado um novo plano de ação para prevenção dos desmatamentos e queimadas, controle e combate da exploração madeireira na Amazônia, elaborado no Ministério do Meio Ambiente. O plano deverá prever investimentos de R$ 100 milhões, nos próximos 12 meses, nos 40 municípios, que concentram as frentes de degradação ambiental da região.

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