Desmatamento na Amazônia aumenta 14,9% em um ano
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
Demétrio Weber Agência EstadoDe Brasília 
O ritmo de desmatamento na Amazônia cresceu 14,9% no período de um ano, entre agosto de 1999 e agosto de 2000, o que representa a derrubada de 19.832 quilômetros quadrados. A estimativa, feita com base em imagens de satélite, é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foi divulgada ontem pelo Ministério do Meio Ambiente. Com isso, o desmatamento na Amazônia supera 589 mil quilômetros quadrados, área maior do que a da Bahia.
Estimativa com dados de agosto de 1998 a agosto de 1999 indica que a velocidade de destruição da floresta permaneceu estável em relação ao mesmo período anterior - a média de desmatamento foi de 17 mil quilômetros quadrados a cada 12 meses.
O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) considerou o ritmo de desflorestamento extremamente elevado e insustentável a longo prazo. Se forem mantidas as médias anuais de desmatamento registradas na década de 90, em menos de dez anos a Amazônia perderá uma área de floresta equivalente a todo o Estado do Acre, diz nota divulgada pela entidade. O documento destaca que, desde 1995 foram desmatados 114.925 quilômetros quadrados na região.
Diante da projeção anunciada pelo Inpe, o Ministério do Meio Ambiente decidiu aumentar o rigor na concessão de autorizações de desmatamento em 43 municípios de Mato Grosso, Pará e Rondônia. Esses Estados têm respondido por 80% do desmatamento nos últimos anos. De 1997 a 1999, os 43 foram responsáveis por 58% da área devastada na Amazônia.
A secretária de Coordenação da Amazônia do ministério, Mary Helena Allegretti, anunciou que o licenciamento nesses municípios terá de ser georeferenciado. Isso significa que os proprietários terão de apresentar foto de satélite em escala reduzida que permita a visualização da propriedade a ser desmatada. A foto, que custa em torno de R$ 300,00, segundo técnicos do ministério, permitirá calcular com precisão os 20% de floresta que podem ser cortados, conforme a legislação brasileira.
O levantamento do Inpe mostrou que a maior parte (54%) dos desmatamentos entre 1998 e 1999 ocorreu em extensões de 6 a 100 hectares, enquanto 26% foram em áreas de 100 a 500 hectares e 24% em faixas acima de 500 hectares.
Mary Allegretti criticou a falta de políticas econômicas que evitem o desflorestamento na Amazônia. As causas do desmatamento extrapolam o Ministério do Meio Ambiente, disse, apontando a agropecuária e os assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como principais responsáveis pela devastação ambiental.


