Desmatamento mobiliza ONGs
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de janeiro de 1998
Agência Estado 
DivulgaçãoAlertaGreenpeace faz protesto em SC. Segundo entidade, buraco na camada de ozônio chega a 18 milhões de km2As principais organizações não-governamentais (ONGs) do País voltadas ao meio ambiente querem que o governo federal adote medidas urgentes para conter o desflorestamento na Amazônia. Em Brasília, a Câmara adiou a votação do projeto que define os crimes contra o meio ambiente, prevista para ontem.
A exigência das ONGs foi definida ontem, após reunião dos representantes do Instituto Socioambiental, SOS Mata Atlântica, Grupo de Trabalho Amazônico, Amigos da Terra e Greenpeace, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Os dados mostram de forma inequívoca o aceleramento do desmatamento na região, comentou o ambientalista e diretor da Instituto Socioambiental, João Paulo Capobianco, referindo-se aos números divulgados anteontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A análise dos dados divulgados pelo Inpe sobre a derrubada da mata na Amazônia Legal causou espanto e indignação entre as ONGs. Segundo a avaliação das entidades, pela média do período entre 95,96 e 97, há um crescimento no nível de desflorestamento e, com o agravante de se ter aumentado os focos na floresta tropical, até então um pouco mais preservada. Segundo Capobianco, o recorde histórico alcançado em 1995, com 29.059 quilômetros quadrados de área devastada, está caindo como uma bomba nos países que investiram mais de US$ 200 milhões nos programas de recuperação das florestas tropicais brasileira, principalmente a Amazônica.
O governo vai ter que se explicar para a sociedade brasileira e à comunidade internacional, comentou. As ONGs afirmam que não querem polemizar com o governo federal, mas exigem soluções imediatas e enérgicas visando restringir o corte de árvores e a exploração madeireira na Amazônia. Pelos cálculos das entidades, nos últimos três anos foram destruídos 60,2 mil quilômetros quadrados de floresta. Isto representa cerca de 11% do volume total acumulado deste o descobrimento do Brasil.
Protesto - Ontem pela manhã, cinco ativistas do Greenpeace estenderam uma faixa de 30 metros quadrados sob a ponte Hercílio Luz, no centro de Florianópolis, em sinal de alerta aos efeitos nocivos da destruição da camada de Ozônio por gases CFCs. Com a mensagem Não-CFC: salve a sua pele os ativistas permaneceram ali por 40 minutos.
A camada de ozônio é responsável pela proteção da Terra contra os efeitos dos raios ultravioleta do sol que podem causar câncer de pele, catarata, disturbios genéticos em plantas e animais, além de destruir organismos microscópicos do fitoplâncton marinho, desequilibrando o ecossistema.
De acordo com a entidade ambientalista, os buracos da camada de ozônio continuam a crescer em proporções alarmantes. Dados científicos mostraram um buraco com área de mais de 18 milhões de quilômetros quadrados durante a última primavera no continente Antártico.


