O desmatamento na região Sul do Paraná pode ser um dos principais fatores do aumento de casos de hantavirose. Como o hantavírus só é transmitido por roedores silvestres, os infectados são pessoas que tiveram contato com esses animais, em especial as populações rurais. O hantavírus é transmitido pela inalação de poeira de fezes e urina dos roedores. Em contato com a corrente sanguínea humana, o vírus ataca os pulmões, reduz a capacidade respiratória e pode levar à morte, se não houver tratamento adequado.
A primeira morte por hantavírus no Paraná foi registrada em setembro de 1999, em General Carneiro. O foco se repete no mesmo período do ano, quando acontecem os cortes de pínus em áreas de reflorestamento. É nessa época que centenas de trabalhadores passam a viver em casas improvisadas, próximas à mata. Como nem sempre as condições de higiene são adequadas, os roedores se aproximam das moradias em busca de alimentos.
Para a bióloga Gisélia Rúbio, chefe da divisão de zoonoses e animais peçonhentos da Secretaria de Estado da Saúde, medidas preventivas podem evitar a infecção. Uma delas é não deixar restos de comida dentro de casa; a outra é guardar a ração animal em local apropriado. ‘‘Os dois casos da doença registrados em Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba) foram de pessoas que varreram casas, que estavam fechadas durante muito tempo, para a pescaria de fim de semana. Em General Carneiro os casos ocorrem com trabalhadores dos reflorestamentos’’, explica.
Ainda não há registros de transmissão do vírus entre seres humanos. A infecção se dá pela inalação de poeira em locais onde há urina ou fezes de roedores silvestres. Também não há notícia de transmissão do hantavírus por roedores urbanos, os chamados ratos domésticos.
Depois da inalação do vírus, a doença pode se manifestar em até 42 dias. No Paraná, os pacientes têm começado a apresentar os sintomas no terceiro ou quarto dia após a infecção. No início a doença se parece com gripe. Há febre alta, dores pelo corpo redução da capacidade respiratória.
Se houver tratamento no início, com internação hospitalar em isolamento e aplicação de antibióticos específicos, as chances de óbito são menores. Caso contrário, a hantavirose leva à morte 80% dos infectados.
É possível que a doença esteja atingindo as populações rurais do Sul do Paraná há mais tempo sem ser diagnosticada. Como os exames para identificação do hantavírus são demorados, nem sempre há condições para fazer os testes.
Segundo o professor de virologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Yasuyoshi Hayashi, o hantavírus existe desde a antiguidade. ‘‘Mas os primeiros casos registrados de morte pela doença foi de soldados americanos durante a guerra da Coréia, na década de 60’’, conta. Os soldados foram infectados pelo vírus em uma região às margens do Rio Hantan, por isso ele foi batizado de hantavírus.
O agente causador da doença é encontrado na América, Ásia, Áfria e algumas regiões da Europa. Mas as infecções acontecem em populações da zona rural, que têm contato com os roedores silvestres.

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