FN62>Foz do Iguaçu - A Polícia Federal prendeu ontem cinco pessoas acusadas de pertencer a uma poderosa quadrilha de contrabando de cigarros, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal. Acusadas de distribuir cigarros para todo País, elas tiveram vários bens apreendidos, como automóveis de luxo, documentos, computadores e até um avião.
As prisões e apreensões são resultado da Operação Nicotina, uma ação especial que revelou a fabricação de cigarros falsos no Paraguai, como o produto saía do país vizinho para entrar no território nacional e como era comercializado no Brasil. O esquema tinha ramificações em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Distrito Federal e principalmente no Paraná.
A rede foi descoberta após uma grande apreensão de cigarros na Bahia, ocorrida há seis meses. Com as informações iniciais, a Polícia Federal de Foz do Iguaçu coordenou a investigação que apontou ''brasileiros com fábricas no Paraguai e que agiam de maneira bastante integrada'', contou o delegado-chefe da PF em Foz, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita.
Segundo a polícia, as fábricas estão em Hernandárias, distante 35 quilômetros da fronteira com Foz. De lá, os carregamentos partiam para Salto del Guayra (Paraguai), na região fronteiriça com Eldorado (MS) e Guaíra (noroeste), para depois seguir para o resto do Brasil. O transporte era feito em fundos falsos de caminhões tanques.
Após acompanhar os passos da rede durante um semestre, a Polícia Federal executou na manhã de ontem os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão emitidos pela Justiça Federal em cinco cidades. Os empresários João Cezar Passos e João Celso Minosso, apontados como os proprietários das fábricas de cigarro, foram detidos em Foz.
Também foram presos Mario Augusto Passos (irmão de João Cezar), em Guaíra; Luis Carlos Rando, em Eldorado; e Dalton de Paula Freitas Filho, em Ribeirão Preto (SP). ''Uns eram responsáveis pela fabricação, outros pela distribuição, outros pela revenda no mercado nacional. É um grupo bastante organizado'', disse Mesquita. Para ele, esse foi o maior desmonte já feito pela PF.
Os acusados receberam voz de prisão quando estavam nas residências e locais de trabalhos. E tiveram todas contas bancárias bloqueadas e bens apreendidos, entre eles veículos importados (BMW, Cherokee e Pajero) e um avião bimotor. A aeronave estava numa pista em São Miguel do Iguaçu (43 quilômetros ao norte de Foz).
Segundo Mesquita, o patrimônio dos suspeitos é incompatível com a renda declarada. ''Os bens estão apreendidos sob suspeita de terem sido adquiridos com recursos de atividades ilícitas''. Os cinco responderão inquérito por contrabando, sonegação fiscal, evasão de divisas e formação de quadrilha. Eles podem pegar de nove a 28 anos de prisão.

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