Desmantelada quadrilha que aplicava golpe em idosos
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), força-tarefa formada por Ministério Público do Paraná e polícias Civil e Militar, prendeu ontem 12 pessoas na chamada Operação Fundo Falso. Segundo o Gaeco, a suposta quadrilha aplicava golpes contra idosos nos três Estados do Sul do Brasil, além de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
O procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador estadual do Gaeco, informou que anteriormente outras duas pessoas da quadrilha haviam sido presas. Ontem, sete prisões foram efetuadas em Curitiba, uma em Colombo (Região Metropolitana), uma em Joinville (SC) e três no Guarujá (SP). Documentos, celulares, chips, cartões bancários, um veículo, uma arma de fogo, munição e dinheiro foram apreendidos.
Segundo Batisti, os comandantes da quadrilha estavam baseados no município paulista, mas os telefones utilizados para o golpe eram do Paraná. Por isso, as investigações, que tiveram início em São Paulo, foram encaminhadas para o Gaeco paranaense.
No passo inicial do golpe, membros da quadrilha telefonavam para idosos e, identificando-se como sendo de empresas da área siderúrgica, diziam que a vítima tinha dinheiro a resgatar de ações adquiridas através do chamado Fundo 157. ''Os criminosos informavam que, para esse resgate, a pessoa tinha impostos e taxas a pagar. A vítima era instruída a fazer depósitos em contas correntes que, na verdade, eram de laranjas'', afirmou Batisti.
Segundo o coordenador, o dinheiro era prontamente desviado para outras contas. Em certos casos, de acordo com o Gaeco, os laranjas ganhavam porcentagens dos valores depositados.
Batisti comentou que os criminosos retornavam a ligação para as vítimas e diziam que para terem acesso ao pagamento retido, deveriam fazer outros depósitos. ''O valor padrão inicial do golpe era de R$ 7 mil. Conforme o golpe 'progredia', podia chegar a R$ 50 mil em uma única vítima'', disse o coordenador.
Batisti relatou que a quadrilha tinha um ''cadastro'' das vítimas, com CPF e outras informações. O Gaeco investiga para saber como os criminosos tiveram acesso a esses dados. ''Não está fora de cogitação que essas informações tenham vazado de instituições financeiras'', comentou o coordenador.
De acordo com Batisti, em quatro meses de investigação, foram identificadas 25 vítimas, mas o número total pode ser bem maior do que isso. A estimativa inicial é de que a quadrilha arrecadava cerca de R$ 600 mil por mês com o golpe.
A lei do Fundo 157, publicada no Brasil durante a ditadura militar, permitia que pessoas destinassem uma porcentagem do dinheiro devido no Imposto de Renda para comprar cotas de fundos administrados por diversas instituições financeiras. Os recursos desses fundos eram usados para compras de ações de empresas. O Fundo 157 foi extinto na década de 1980 e transformado ou incorporado em fundos de investimento.
Serviço:O Gaeco solicita que pessoas lesadas pela quadrilha entrem em contato pelo telefone (41) 3254-1195.


