Desmaio deve ser investigado
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de abril de 2009
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Na fila do banco, sem qualquer motivo aparente, a mulher desmaia. Em frente ao restaurante, é o homem. Quem já não viveu, presenciou ou mesmo soube de uma situação assim? Caracterizada como perda momentânea dos sentidos, a síncope não é apenas um desmaio de poucos segundos ou minutos - alerta o cardiologista Willyan Nazima, de Londrina, - mas um sintoma que pede rigorosa investigação médica.
São várias as causas da síncope, explica o médico - desde cardíacas, como problemas valvares e coronarianos, até neurológicas, o que inclui obstrução de vasos e até enxaqueca, e metabólicas, como hipoglicemia e infecções.
A mais comum, chamada vasovagal ou neuromediada, é benigna, mas a síncope também pode ser sintoma de patologias mais sérias. Por exemplo, a arritmia cardíaca, alteração dos batimentos do coração, que tem o risco de evoluir para uma parada. Ou ainda, um ataque isquêmico transitório no cérebro, que nada mais é que a diminuição ou supressão da irrigação sanguínea por causa de um bloqueio de artéria. ''Pode ser uma obstrução severa em um vaso, o que diminui o fluxo em determinado momento, e depois este é restabelecido. Por isso é preciso investigar'', alerta, lembrando que normalmente a investigação é feita em conjunto entre cardiologista e neurologista.
No caso mais comum, a síncope é provocada por um reflexo do próprio organismo. Segundo o cardiologista Ricardo Rodrigues, de Londrina, funciona assim: quando a pessoa fica muito tempo em pé - e esse 'muito' varia para cada uma -, um mecanismo faz o sangue ficar acumulado nas panturrilhas e faltar no coração. Com pouco sangue, o coração trabalha acelerado. Para proteger o coração, um receptor é acionado para que ele bata em ritmo mais lento, através do estímulo vasovagal. Isso também faz cair a pressão arterial. Daí vem a tontura e o desmaio.
O interessante é que quando a pessoa cai e fica deitada, o fluxo de sangue volta ao normal e ela naturalmente volta à consciência. ''Geralmente não dá tempo de socorrer, porque é muito rápido. Quando o paciente cai a zero grau, o fluxo é restabelecido no cérebro e ele acorda'', explica Nazima.
O mal pode atingir pessoas das mais diversas idades, com prevalência de 1,8 a 2,5 para cada mil habitantes, o que em uma cidade como Londrina equivale a 500 a 1 mil pessoas com o problema. ''Se considerarmos pré-síncope, quando a pessoa apresenta sintomas como tontura, mas não chega ao desmaio efetivo, o número aumenta para dez vezes mais'', aponta Nazima.
Nos idosos, aponta Rodrigues, a prevalência é maior. ''Um levantamento feito nos Estados Unidos mostra que atinge 2% das pessoas com idade acima dos oitenta anos. E, quanto mais velho, maior a gravidade. A síncope neuromediada é mais comum em adolescentes e adultos jovens. Já, nos idosos, são mais comuns causas como insuficiência na circulação cerebral e arritmias cardíacas'', ressalta.
Outro problema, ressalta Nazima, é a restrição que o próprio paciente se impõe, se não tem um diagnóstico. ''O paciente passa a ter medo de fazer atividades em que possa desmaiar, então deixa de ir à igreja, deixa de praticar esportes, deixa de frequentar locais onde há muita gente. Ele se limita profissional e socialmente'', alerta. Acidentes também acontecem. ''Já atendi paciente que, ao desmaiar, teve fratura de fêmur'', lembra Rodrigues.


