Deslocamento de terra danifica casas em Paranaguá
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segunda-feira, 07 de julho de 2008
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Moradores de Paranaguá, no Litoral do Estado, tiveram que deixar suas casas às pressas, na tarde do último domingo, depois que um deslocamento de terra abalou a estrutura das construções. Pelo menos, 24 residências apresentaram rachaduras. Em quatro delas, os danos foram maiores -uma ficou totalmente destruída. Apesar do susto, ninguém se feriu.
O incidente foi provocado por um depósito de pó de rocha -insumo usado na fabricação de fertilizantes-, ao ar livre, pertencente à empresa Mutitrans. Com o peso do material depositado, o terreno cedeu, empurrando a terra por baixo do pavimento da rua, levantando-o. Além de derrubar os muros e deslocar paredes das casas, a movimentação comprometeu postes de energia elétrica e a rede de abastecimento de água. Somente ontem os serviços foram restabelecidos.
O tenente do Corpo de Bombeiros, Romero Nunes da Silva Filho, informou que na quinta-feira, moradores já haviam reclamado de rachaduras no muro da empresa. Os bombeiros vistoriaram o local e emitiram relatório para a Coordenação da Defesa Civil. No domingo, eles voltaram a ser acionados pelos moradores, pois as casas começaram a ''estalar'' e apresentar rachaduras. ''Por segurança, retiramos os moradores de suas residências e segundos depois o terreno movimentou'', contou o tenente.
O chefe de segurança e relações com a comunidade da Mutitrans, Lourival Santos, disse que na parte do depósito que cedeu estavam armazenadas cerca de 6 mil toneladas do pó de rocha. O material está sendo retirado do local. Um engenheiro da empresa teria feito avaliação do solo, garantindo que não há mais risco. Em relação às famílias que tiveram prejuízo, Santos assegurou que elas foram cadastradas pela Defesa Civil e que será analisado caso a caso. ''Em 18 das 24 casas, a empresa se comprometeu com ações imediatas de reparo'', afirmou.
Cristiane das Neves havia começado uma reforma na casa há um mês. ''Não adianta querer terminar de construir assim. Tem que derrubar e começar do zero'', disse.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou a Mutitrans em R$ 32 mil pela disposição irregular de 10 mil toneladas de rocha fosfática. Apesar de não ter havido dano ambiental direto, a empresa seria reincidente na disposição inadequada, além de ter provocado prejuízo ao moradores vizinhos.


