Um deslizamento de terra sobre uma casa em uma favela do Jaçanã, no Jardim Felicidade, zona norte de São Paulo, provocou a morte de um homem, aumentando para 13 o número de mortos em consequência das chuvas em 98 na capital paulista.
O frentista Natanael Santana de Lima, de 26 anos, estava dormindo, por volta de 6h30, quando o teto de seu quarto veio abaixo, com a força da terra que se soltou do morro onde está situada a favela. Apesar dos esforços dos parentes e vizinhos, ao ser socorrido, ele já estava morto. Outras dez pessoas da família estavam num outro cômodo da casa no momento do acidente, entre elas seis crianças, mas não ficaram feridas.
Na hora do desmoronamento, não chovia no local, mas a terra ainda estava úmida, por causa da chuva do dia anterior. ‘‘Nos últimos dias estava caindo um pouco de terra do morro, mas ninguém imaginava que fosse desabar assim, de repente’’, comentou a cunhada de Lima, Maria Aparecida Jesus Lopes, de 15 anos, que também morava na casa do frentista.
O imóvel da família estava interditado pela Prefeitura desde o ano passado, assim como vários outros da Favela Jardim Felicidade. Em fevereiro do ano passado, dois moradores e um bombeiro morreram no local por causa de um deslizamento de terra. Os moradores das casas interditadas, porém, continuam na favela, alegando não ter para onde ir.
‘‘No ano passado a Prefeitura disse que levaria a gente para um abrigo, mas depois que passou a época das chuvas eles esqueceram’’, justifica a dona de casa Quitéria Maria da Conceição, de 37 anos, que teve o barraco destruído por um desmoronamento em 1998. Desde aquela época, passou a morar em uma casa de alvenaria, no mesmo local.
A Prefeitura alega não ter força e efetivo suficientes para garantir a desocupação dos imóveis em áreas como essa. ‘‘Os moradores têm ciência do risco que correm, mas continuam ocupando a área’’, comenta o administrador regional do Jaçanã-Tremembé, Omar de Castro. ‘‘A realocação dessas pessoas é um problema social que precisa da participação de todas as esferas do poder público’’, avalia.Kathia Tamanaha/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Duas mulheres observam os destroços de casa cujo telhado desabou após o deslizamento no Jardim FelicidadeAgência Estado

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