Deslizamento mata dona de casa em Guarulhos; 102 pessoas estão desabrigadas
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 11 (AE) - Uma pessoa morreu e 32 bairros amanheceram alagados no município de Guarulhos, na Grande São Paulo, hoje. Nas regiões mais atingidas, os moradores olhavam desolados para suas casas destruídas, amargavam outro dia de trabalho árduo de limpeza e tentavam entender o motivo de tanta tragédia. Há exatamente uma semana, a cidade fora castigada por uma das piores enchentes de sua história, que provocou duas mortes.
"Mal tinha acabado de arrumar minha casinha e já perdi tudo de novo", disse Vanderléia Silva, de 52 anos, moradora da Vila Galvão, que passou a manhã tentando recuperar móveis e objetos pessoais. "Cheguei a encontrar mudas de roupa a metros de onde moro", contou.
Vila Galvão, Vila Aeroporto, bairro dos Pimentas (trecho de Guarulhos), Macedo, Jardim São Geraldo, Jardim Cumbica, Jardim Aracília e Jardim Primavera foram as áreas mais prejudicadas, de acordo com a Defesa Civil do município. Em algumas vias inundadas, moradores improvisavam o transporte. Barcos e capôs de Kombi tomavam o lugar dos carros em ruas que mais pareciam rios.
Laurinda Ramos da Silva, de 63 anos, foi a principal vítima. Morreu soterrada por causa de um deslizamento na Rua Poli, no Jardim Brasil, na região dos Pimentas. Ela estava sozinha na hora do acidente, provavelmente dormindo.
Outras 102 pessoas estão desabrigadas e foram alojadas na Escola Glauber Rocha, no Jardim Ipanema, e na sede da Guarda Municipal, no bairro de Gopoúva, próximo do centro. O número de prejudicados, porém, chega a 3 mil, afirma a Defesa Civil. Foram atendidas, até o fim da tarde de hoje, 58 ocorrências. Estrondo - Juraci Maria da Silva, de 48 anos, acordou por volta das 2 horas, com um estrondo. Sua casa desabou e a terra bloqueou as portas de saída. "Passei momentos de horror", contou ela à tarde, ainda abalada. Com seus quatro filhos, permaneceu três horas presa nos escombros. "Me tiraram daqui pela janelinha".
As imagens dos estragos estavam por toda a parte. No Jardim Helena, divisa de Guarulhos com São Paulo, Paulo Rosevaldo Gama, de 36 anos, esforçava-se para tirar sua filha de 7 anos de um toco de madeira. A menina tinha subido no local com medo da água. Na Avenida Monteiro Lobato, no centro, muros foram derrubados e uma Brasília foi arrastada. Rita de Cássia protagonizava a imagem do desespero. Moradora da Rua Lagoa Santa, no bairro do Macedo, olhava aflita para seus móveis - ou o que restou deles - espalhados em um terreno baldio. "Estou deixando secar para ver se recupera".
Na casa ao lado, a situação era pior. A água, que atingiu 1,5 metro, destruiu tudo o que Maria Meireles da Silva tinha. "Nunca vi nada como este ano".


