Deslizamento causa 10 mortes na zona sul
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 28 (AE) - Dez pessoas morreram - quatro homens, um adolescente, três mulheres e dois bebês - vítimas do deslizamento de terra que soterrou sete barracos de uma favela na Rua Caruxa, no Jardim São Roque, em Campo Limpo, zona sul capital paulista.
Outras três pessoas ficaram feridas, entre elas um bebê, e foram internadas nos Hospitais das Clínicas e do Campo Limpo. A região foi a mais prejudicada pelo temporal que atingiu a cidade na tarde de hoje. Às 22h30, 70 homens do Corpo de Bombeiros ainda procuravam mais três corpos, entre eles o da menina Maiara
de 4 anos. Os corpos dos pais já tinham sido encontrados.
Os mortos foram identificados, por vizinhos, pelos nomes de Elizeu, de 15 anos, Jailton, de 21, Neto, de 30, Claudionor, de 40, Miguel, de 50, Leninha, de 21, Selene e Catiúcia, ambas de 18, e Quequé, de 18 meses.
Por volta das 16h30, o Morro da Lua deslizou de uma altura de 80 metros, arrastando os barracos. Segundo bombeiros e moradores
a área pertence à Eletropaulo. Há alguns meses a Prefeitura havia orientado os ocupantes para que deixassem o local. Sem ter para onde ir, as famílias recusaram-se a sair.
"Vou mudar deste lugar; não vou continuar arriscando minha vida", desabafou o faxineiro André Otacílio de Souza, de 27 anos. Ele comprou o barraco e mudou-se para o Morro da Lua há uma semana. "Tinha a ilusão de ter casa própria", contou. Fugiu de um aluguel de R$ 200,00 e já havia pago R$ 400,00 dos R$ 1 mil cobrados pelo barraco.
"Sempre que chovia tirávamos as crianças de casa, imaginando que haveria tragédia, até que houve mesmo", disse o operador de máquinas Cláudio dos Santos, pai de três filhos, morador do local há um ano.
Os Córregos Curva do S e Pirajuçara transbordaram na região de Campo Limpo e Butantã. No Jardim São Luís, o estacionamento de uma concessionária Fiat ficou com mais de um metro de água. No Butantã, as águas do Pirajuçara refluíram dos bueiros na Avenida Eliseu de Almeida, que passa sobre o córrego canalizado. O mesmo ocorreu na Rua Alvarenga e Avenidas Afrânio Peixoto e Vital Brasil. Ruas do câmpus da Universidade São Paulo (USP) também ficaram com quase um metro de água. Técnicos da Eletropaulo Metropolitana disseram que o bairro de Pirituba foi o mais prejudicado pela falta de energia, já que quatro circuitos foram desligados pela queda de árvores.
Partes dos bairros de Santo Amaro, Lapa, Campo Limpo, Alto da Mooca e Vila Prudente também ficaram às escuras. O tráfego congestionado pelos alagamentos prejudicou o acesso dos ônibus aos Terminais João Dias, na zona sul; Bandeira, no centro; e Vila Prudente e Itaquera, zona leste. A Estrada de Itapecerica da Serra teve vários trechos inundados, impedindo a passagem de veículos.
Por causa das fortes chuvas, a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) interditou o Túnel do Vale do Anhangabaú entre 15h38 e 16h26, pois houve vários pontos de alagamento no centro, como na Praça da Bandeira, Praça 14 Bis, Avenida 9 de Julho e 23 de Maio.
A Defesa Civil Municipal decretou estado de alerta entre as 15h30 e 17h30 em bairros de 12 administrações regionais (Aricanduva, Mooca, Penha, São Mateus, Vila Prudente, Sé, Lapa, Pinheiros, Butantã, Campo Limpo, Perus e Jabaquara). Os Córregos Aricanduva, Pirajuçara e Ipiranga transbordaram em vários trechosl. Um grande alagamento ocorreu na Marginal do Pinheiros, sob a Ponte do Socorro.
Às 21h, 150 funcionários da Prefeitura iniciaram a limpeza do lixo acumulado nos bueiros e a retirada de lama de ruas e calçadas de áreas onde houve alagamentos. (Colaboraram Mauro Carvalho da Silva e Rogério Panda)


