Londrina registra a cada ano 100 novos casos de hanseníase - doença contagiosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae e que atinge pele e nervos. Um número preocupante, considerando que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece, como objetivo a ser alcançado, a detecção de no máximo 2 casos novos a cada 100 mil habitantes/ano. Longe do que preconiza a OMS, Londrina constata o surgimento de 25 casos novos a cada 100 mil habitantes/ano.
A evolução no aparecimento dos casos, segundo a dermatologista Vera Cristina Schnitzler, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), pode ser justificada pela falta de conhecimento da doença. Ou seja: pessoas contaminadas, que desconhecem o problema, podem estar disseminando o bacilo, propagado por via respiratória. Conforme indicam estudos, 90% da população tem resistências orgânicas contra a bactéria, que atinge apenas os 10% restantes.
Outra fonte de disseminação da bactéria seriam os doentes que abandonaram o tratamento. Um número alto, segundo dados apresentados pela dermatologista Vera Schnitzler, durante palestra feita nos Serões Brasileiros de Pediatria, promovido pela Associação Médica de Londrina, na última segunda-feira.
Chamados pacientes ativos, os portadores da bactéria que estavam em tratamento em Londrina, no ano passado, somavam 313 pessoas. Do total, 28% deixaram o tratamento, que tem duração de até dois anos, nos casos mais graves. Assim que é iniciado o tratamento, a medicação ataca o bacilo e põe fim ao risco de contaminação. ‘‘O problema é que, quando interrompido o tratamento, o bacilo tem chance de se proliferar e se torna ainda mais resistente.’’
Os pacientes têm que cumprir uma rotina no atendimento que consiste na consulta mensal ao setor de atendimento na 17ª Regional de Saúde. Eles recebem dose supervisionada de medicação no próprio serviço e também os remédios que deverão ser ingeridos em casa. ‘‘O tratamento é simples, dura seis meses nos casos iniciais da doença’’, diz a dermatologista.
Conforme dados do setor de epidemiologia da 17ª Regional de Saúde, a hanseníase atingiu no ano passado um número maior de homens. Dos 105 casos registrados na Cidade, 60 foram com homens e 44 com mulheres. Houve um caso sem informação de sexo. Sobre o grupo de idade, os registros mostram que a incidência é mínima na faixa até 14 anos. Em 1995, 94,4% e, em 1996, 98,1% dos registros foram com pessoas com mais de 15 anos.
Apesar do preconceito ainda existente, o portador do bacilo de Hansen não apresenta risco para as outras pessoas se estiver em tratamento. O paciente deve ter vida normal, já que o medicamento mata o bacilo. A dermatologista Vera Schnitzler tem conhecimento de casos de pessoas que perderam o emprego depois de dizer que possuíam doença. A decisão desses empregadores revela total desconhecimento sobre a hanseníase. ‘‘O paciente em tratamento não apresenta risco. O risco é em relação às outras pessoas, que estão contaminadas e não sabem.’’
A falta de informação, observa a dermatologista, não atinge apenas leigos que têm medo da doença. Muitas vezes, diz ela, pessoas do setor de saúde têm preconceitos incubados e receio de atender os doentes. Ela esclarece que a hanseníase não causa a morte; estudos comprovaram que as pessoas que atuam com doentes não apresentam risco maior de contrair o bacilo. Para ela, a melhor forma de prevenção é o diagnóstico precoce e o tratamento imediato. ‘‘Eles quebram a cadeia de transmissão.’’

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