Desigualdade marca sociedade brasileira
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quinta-feira, 12 de junho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Síntese de Indicadores Sociais 2002, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, apesar da melhora, principalmente, nos índices de saúde, educação e condição do domicílio, as desigualdades sociais entre a população brasileira ainda estão longe de serem superadas. O 1% mais rico da população acumula o mesmo volume de rendimentos dos 50% mais pobres e os 10% mais ricos ganham 18 vezes mais que os 40% mais pobres R$ 2.744,30 contra R$ 149,85.
De acordo com a coordenadora do levantamento, Ana Lúcia Sabóia, no Paraná, o 1% mais rico detém 13,7% do total de rendimentos, enquanto os 50% mais pobres ficam com 15,9% da renda do Estado. O salário dos 10% mais ricos é de aproximadamente R$ 2,8 mil, ou 16,4 vezes mais que os 40% mais pobres, cuja renda média é de cerca de R$ 172,00.
O levantamendo do IBGE aponta que houve ligeiras reduções da desigualdade de renda em todas as regiões, exceto na Sudeste. A maior redução de desigualdade ocorreu na região Sul, mais ainda assim a queda é inexpressiva, avaliou Ana Lúcia. Em 1992, os 10% mais ricos ganhavam 17,7 vezes mais que os 40% mais pobres. No último censo, a proporção caiu para 16,4. Entre os estados, Paraíba, Sergipe e Amapá foram os que mais reduziram as distâncias entre os rendimentos médios dos dois grupos.
Quanto à apropriação da renda nacional, a Síntese indica que entre o 1% mais rico da população brasileira (que detinha quase 14% do rendimento total), 88% eram de cor branca, enquanto que entre os 10% mais pobres (que detinham apenas 1% do rendimento total), 68% se declararam de cor preta ou parda.
As desigualdades de gênero também são evidentes na pesquisa do IBGE. Em todos os estados, mulheres ganham menos que os homens. A diferença de rendimento é expressiva, mesmo quando o grau de escolaridade é o mesmo. Os dados nacionais apontam que o salário das mulheres que estudaram por até três anos corresponde a 61,5% do rendimento médio da população masculina com o mesmo tempo de estudo. Já as mulheres com maior grau de escolarização (11 anos ou mais de estudo) ganham 57,1% do que ganham os homens desta faixa.
A população feminina ocupada concentra-se nas classes de rendimento mais baixas: 71,3% das mulheres que trabalham recebem até dois salários mínimos, contra 55,1% dos homens. A proporção de homens que ganham mais de cinco salários mínimos é de 15,5% e das mulheres, 9,2%. No Sudeste, 61,1% das mulheres ganham até dois salários mínimos e no Sul, essa proporção é 72%. Entre os homens, as proporções nessas regiões são 41,8% e 49,1%, respectivamente.
No Paraná, as mulheres com até três anos de estudo ganham cerca de 56% do rendimento médio dos homens. Já o salário da população feminina com 11 anos de estudo ou mais é cerca de 33% menor que a renda masculina.


