Curitiba - Ao contrário do que foi anunciado pelo governo estadual, o coronel Marcos Teodoro Scheremeta explicou ontem, em entrevista coletiva, que sua saída do comando-geral da Polícia Militar do Paraná (PM-PR), se deu em razão de ''desgastes pessoais'' entre ele e o secretário estadual de Segurança Pública (Sesp), Reinaldo de Almeida César, motivados por fatores como a polêmica envolvendo a transferência do atendimento de servidores públicos do Serviço de Atendimento à Saúde (SAS) de Curitiba e região metropolitana para o Hospital da Polícia Militar (HPM).
O SAS oferece atendimento aos servidores públicos do Estado e anteriormente, era o Hospital São Vicente que prestava o atendimento. Scheremeta disse que não era contrário à decisão, mas afirma que não foi consultado sobre a mudança. ''Não fiquei sabendo da mudança em nenhum momento. Sei da importância social do HPM, mas não concordei com a maneira em que foi fechado o convênio'', disse.
Outro problema citado pelo coronel foi o pedido de exoneração do seu irmão, corregedor da PM-PR, Carlos Alexandre Scheremeta. Ele informou que se negou a atender o pedido. ''Me neguei a fazer isso porque sei da qualidade dele como profissional. É meu irmão, mas isso não impede que ele faça um trabalho excepcional dentro da PM-PR'', destacou. ''Foi uma somatório de coisas que fez com que eu não aceitasse determinadas ingerências no meu trabalho''.
O coronel informou também que foi alvo de denúncias desde que assumiu o cargo, em janeiro, de que teria ligação com a exploração de caça-níqueis e jogo do bicho em Curitiba. ''Estou tranquilo. Estas especulações surgiram porque foi divulgado que meu telefone foi grampeado pela Polícia Federal durante seis meses. Mas desde que assumi o comando da PM-PR meu celular é grampeado, como também o telefone da minha casa'', adiantou.
O coronel também revelou que o pai falecido há quase três anos era proprietário de uma lotérica que fazia jogo do bicho. Ele afirmou que não escondeu esta informação do governador, do secretário de Segurança Pública, nem da corporação. ''Isto foi inclusive falado para o órgão de inteligência da PM-PR. Justamente para ser feito um trabalho aberto e claro. Realmente conheço amigos do meu pai e mantenho contato com alguns deles que fazem jogo do bicho, mas não é para receber propina. Desde que assumi tenho utilizado rigor em tudo. Então qual é conivência que estou tendo se mando prender todo mundo?'', afirmou.
O secretário Reinaldo de Almeida César, por outro lado, disse não haver um motivo para a saída de Scheremeta. ''Não há uma razão específica. Ele já vinha manifestando, nas últimas semanas, o desejo de sair, colocou o cargo à disposição, disse que estava cansado'', afirmou. César também negou que tenha havido desentendimento por conta da transferência do atendimento do SAS. ''Em absoluto. Ele nunca falou isso comigo'', destacou.
A troca oficial de comando da PM-PR depende da agenda do governador Beto Richa (PSDB). Ontem o secretário Reinaldo apresentou à imprensa o novo comandante, coronel Roberson Luiz Bondaruk.
Bondaruk reforçou o credo no que chama de ''comunitarização'' da polícia. Disse ainda que ''o uso das armas continua sendo necessário para uma repressão forte'', mas, nessas comunidades, o principal deve ser a ''ciência, tecnologia e conhecimento''.

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