São paulo, 04 (AE) - Diante da crise política provocada pelas denúncias de um suposto esquema de corrupção nas administrações regionais, os vereadores estudam a formação de um movimento articulado para "devolvê-las" ao prefeito Celso Pitta (PPB) e já iniciaram um ataque direto ao governo municipal. A renúncia ao controle político das regionais não é uma unanimidade e, até prova em contrário, pouco provável.
Um vereador, no entanto, prometeu publicamente "entregar" a regional e um módulo do Plano de Atendimento à Saúde (PAS). "Acho que a CPI tem de ser aprovada, vou devolver a Administração Regional de Perus e o Módulo do PAS de Pirituba", afirmou hoje em plenário o vereador Paulo Frange (PPB). Frange assumiu o controle político da Regional de Perus há 20 dias e afirmou que não há condições de atender a população local. "Se não reestudarem o zoneamento daquela região, não dá para fazer nada porque a legislação atual não permite construir nada", argumentou. Apelo - O vereador Bruno Féder (PPB) fez um apelo a todos os veredores. "Tenham a grandeza de admitir que vivemos uma crise existencial; quem tiver, que devolva a regional", disse o parlamentar em plenário. Féder criticou o secretário das Administrações Regionais, Domingos Dissei (PPB), que, segundo ele, não tomou nenhuma medida para concreta para coibir as supostas irregularidades denunciadas pela polícia e Ministério Público. "O governo não suspendeu a emissão de licenças e alvarás, o que seria o mínimo que se espera de uma administração diante de um quadro generalizado de denúncias", comentou.
O vereador disse que vai propôr, na Câmara, duas medidas: pedir à sociedade organizada e aos órgãos classistas que apresentem um projeto para acabar com a burocracia no serviço público, que seria entregue ao prefeito pelos vereadores e propor que o "rapa" seja transferido e coordenado pela Secretaria das Administrações Regionais. Desconfiança - A reação contra o governo ocorreu porque os parlamentares, que não falam abertamente, concluíram que o governo municipal e a Secretaria das Administrações Regionais não estariam preocupados com o desgaste político da Câmara. Em alguns casos, há vereadores do PPB que admitem em conversas reservadas que o prefeito Celso Pitta estaria até gostando do resultado das investigações.
A relação entre os vereadores governistas sempre foi marcada pelo tumulto, embora parlamentares e o próprio prefeito neguem. Antes do início do governo, os vereadores do PPB rebelaram- se contra Pitta e reduziram verbas importantes do Orçamento. Em seguida, depois de perder a Administração Regional de Pinheiros, o vereador Paulo Roberto Faria Lima (PPB) comandou a formação do bloco dos "rebeldes". Eles chegaram a defender o impeachment de Pitta, idéia que abandonaram porque não tinham número suficiente e se compuseram novamente com o governo.

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