O desgaste da imagem dos jatos Fokker, envolvidos em vários acidentes no Brasil, poderá levar a direção da TAM a promover a troca destas aeronaves. O gerente de operações de aeroportos da companhia de transporte aéreo, Juvenal Tavares, informou ontem à tarde que a direção da TAM faria hoje uma reunião para avaliar o impacto negativo do acidente de anteontem. O projeto de substituição das aeronaves seria também analisado. Ontem à noite, a presidência da TAM, através de sua assessoria de imprensa, negou a informação.
A TAM mantém conversações com a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) para aquisição de jatos EMB-145, de 50 lugares, que devem substituir o Fokker-50, com a mesma capacidade de ocupação. Os entendimentos, segundo a Embraer, estão acontecendo deste o ano passado. A Fokker, que é de origem holandesa, faliu no ano passado e deixou os operadores de linhas aéreas preocupados com a reposição de peças e manutenção das aeronaves.
Uma possível troca de frota também deve atingir as 30 unidades do Fokker-100 em uso. A TAM vem adquirindo aviões de porte semelhante e a última aquisição foi feita na feira francesa de Le Bourget, quando a empresa comprou quatro aviões da Airbus. O jato Fokker-100, apesar de bem aceito no mercado mundial de aeronaves regionais, passou a ser rejeitado no Brasil ao acumular em seu histórico passagens como o assalto no aeroporto de São José dos Campos, interior do Estado, a queda em Congonhas, zona sul da capital, e vários outros pequenos acidentes por todo País.
Explosão - A Polícia Federal está investigando a vida do empresário Fernando Caldeira de Moura Campos, 38, morto anteontem após explosão no vôo 283 da TAM que o jogou fora do avião, a 2.400 metros de altitude. Há suspeita de que ele possa ter relação com o objeto que, tudo indica, explodiu a bordo.
A PF está levantando o passado e as ligações recentes do empresário. Engenheiro eletrônico, ele trabalhou no Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA) e na Embraer e era sócio de uma empresa de informática sediada em São José dos Campos (97 quilômetros a nordeste de São Paulo). O sócio de Campos, José Ronaldo Cantusio Abraão, diz que a suspeita sobre ele é absurda.
A Polícia Federal só está no caso porque não está descartada a possibilidade de a explosão ter sido criminosa - causada, por exemplo, por uma bomba intencionalmente levada a bordo. Pela lei, crimes em aviões devem ser investigados pela PF.
Outra possível causa para a explosão - que abriu um buraco de cerca de 2 metros por 1,30 metro no lado direito da fuselagem do Fokker-100 - é ter havido defeito na estrutura do avião. A Aeronáutica trabalha com essa hipótese, mas a considera remota.
O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, detectou no local da explosão vestígios do que considera ser uma substância química explosiva, ainda não identificada.
O empresário Fernando Campos estava sentado na poltrona 18E no momento da explosão. Para o esquadrão antibombas do Gate, o material que explodiu estava a seu lado, sobre o assento da poltrona 18D, que foi apenas parcialmente destruído e estava afundado de cima para baixo. No embarque, Campos tinha passagem marcada para a poltrona 7C, mas como havia pessoas de uma mesma família ocupando essa fileira, sentou-se no fundo do avião, onde não havia passageiros.
No inquérito do caso, a Polícia Federal ouviu ontem o professor Leonardo Castro, um dos passageiros que estava mais próximo de Campos quando houve a explosão. O depoimento durou quase cinco horas e não teve seu conteúdo divulgado. À imprensa, Castro disse que não conhecia o empresário, que estava sentado cerca de quatro fileiras à frente dele e que não notou nada de anormal em seu comportamento durante o vôo.

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