Desgaste com demissão poderia ter sido evitado, reconhecem assessores de FHC
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2000
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 02 (AE) - Um novo erro de comunicação no governo e a inabilidade política do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Frederico Marés de Souza, submeteu o presidente Fernando Henrique Cardoso, desnecessariamente, a mais um constrangimento. A concessão da pensão especial ao sertanista Orlando Villas Bôas, que deveria ter se revertido em ponto positivo para o governo, pelo reconhecimento ao seu trabalho, acabou se transformando em uma trapalhada.
Ainda na gestão do ex-ministro da Justiça e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, o governo verificou que Villas Bôas, que já estava em idade avançada, não possuía nenhum tipo de garantia de remuneração a título de aposentadoria. Por isso mesmo, Jobim propôs ao Congresso projeto de lei concedendo pensão vitalícia a Orlando Villas Bôas e seu irmão Cláudio, já morto, em homenagem aos bons serviços prestados ao indigenismo brasileiro. Homenagem - Com a aprovação da lei recentemente e o início do pagamento da pensão, não era mais possível que o governo lhe remunerasse com o DAS-2, por se traduzir em ilegalidade. Neste momento, o presidente da Funai deveria ter feito uma homenagem a Villas Bôas para lhe dar a notícia e caracterizar a sua desvinculação daquele cargo, transformando-o em uma espécie de conselheiro do órgão. Ao invés disso, Marés escreveu uma carta a Villas Bôas e resumiu-a em um fax, para que Villas Bôas tivesse certeza de que ele estava recebendo a comunicação.
O fax soou como desrespeito e pouco caso do governo em relação ao conceituado sertanista, considerado uma lenda viva da defesa da população indígena. A inabilidade política de Marés, considerada injustificável, causou indignação em diversos setores do governo, que passaram a tomar atitudes individuais para acomodar Villas Bôas em seus ministérios. O presidente precisou tomar à frente da situação, telefonando para pedir desculpas a Villas Bôas e imediatamente, surgiram três propostas de trabalho para o sertanista: nos ministérios da Justiça e da Reforma Agrária e na Secretaria de Comunicação de Governo.
Auxiliares de Fernando Henrique acharam que a reação dos diferentes setores, se propondo a acolher Villas Bôas, acabou sendo positiva, embora reconheçam que este novo desgaste poderia ter sido evitado.


