Arquivo FolhaCríticasAo deixar, ontem, a presidência da Funai, Júlio Gaiger acusou o governo de não ter dado apoio ao programa de reestruturação do órgãoO presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Júlio Gaiger, pediu demissão do cargo ontem acusando o governo de não ter dado apoio ao programa de reestruturação do órgão. Gaiger estava desgastado politicamente desde que os índios guajajaras e cricatís, do Maranhão, atearam fogo em duas torres de transmissão de energia elétrica. Segundo assessores do Ministério da Justiça, o ex-presidente da Funai pouco se empenhou para resolver o problema.
O ministro da Justiça, Íris Rezende, ainda não indicou o sucessor para Gaiger. O sertanista Sidney Possuelo, que já presidiu a fundação no governo de Fernando Collor, e o ambientalista Washington Novaes eram os nomes mais cotados ontem para substituí-lo.
Gaiger dirigiu a Fundação Nacional do Índio por um ano e quatro meses. Nesse período, chamou atenção por usar brincos e se vestir de índio durante os festejos do Quarup, no Xingu, no ano passado. Um dos autores do Decreto 1.775, que possibilitou a revisão de terras indígenas, Gaiger não conseguiu levar adiante seu principal projeto na Funai, que era sua reestruturação. ‘‘Faltou ajuda de todo o governo’’, diz Gaiger. ‘‘A Funai está isolada’’.
A demissão de Gaiger foi o único pedido feito pelas lideranças indígenas ao ministro da Justiça, Íris Rezende, ao assumir o cargo, há dois meses.

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