A proposta de tema único, os 500 anos do Descobrimento do Brasil, para o desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio no ano 2000 é criticada pelo cenógrafo e ex-carnavalesco do Salgueiro Fernando Pamplona. De acordo com o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), Luiz Pacheco Drumond, a idéia é de que cada uma das 14 agremiações deverá abordar um período da história do País e uma comissão de historiadores vai definir as fases e orientar os carnavalescos. Pela proposta de Drumond, as escolas não poderão escolher os enredos, que deverão ordenar o desfile de acordo com períodos da História. A divisão dos temas seria por meio de sorteio.
O cenógrafo e ex-carnavalesco do Fernando Pamplona , de 72 anos, responsável pela revolução do carnaval carioca na década de 60, é um crítico da proposta de carnaval temático. ‘‘Qualquer proposta deve ser espontânea e não obrigatória, além disso ela implica paternalismo político’’, disse o cenógrafo, referindo-se à proposta da Riotur (Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro) de dar, em média, R$ 500 mil para cada agremiação. Depois as verbas serão cobertas por patrocinadores. O secretário municipal de Turismo do Rio, Gérard Bourgeaiseau, garantiu a antecipação do dinheiro, mesmo que não haja patrocínio.
Em 70 anos de história dos desfiles das escolas de samba, o do próximo ano será o primeiro temático. ‘‘Eu e o presidente da República sonhamos com um desfile que reproduza toda a história do Brasil; seria um presente para os brasileiros’’, disse o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, que esteve no Rio acompanhando o desfile das escolas de samba.

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