Desfile em SP lembra Revolução Constitucionalista de 1932
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Eugênio Melloni 
São Paulo, 09 (AE) - Um desfile com cerca de 1.800 participantes, policiais militares e civis metropolitanos, soldados do Exército, escoteiros e até motociclistas, hoje, em frente o Obelisco do Ibirapuera, marcou o 67.º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932. Apesar do frio e da idade avançada, vários veteranos do levante paulista contra as tropas de Getúlio Vargas participaram ativamente das solenidades - que contaram com a presença do governador Mário Covas.
Lúcido aos 87 anos, Salem João Salim exibia com orgulho, hoje, sua identidade militar da época. "Eu era bonitão, não?", dizia, ao mostrar sua foto aos 21 anos. Apesar do bom humor, Salim queixou-se de que, com o passar dos anos, a Revolução Constitucionalista e os seus princípios andam um pouco esquecidos. "Só se lembram da revolução no 9 de Julho", afirmou.
Conflito - A data marca o início dos combates entre as forças paulistas, que queriam o retorno do País à ordem constitucional, e as tropas federais, leais a Getúlio Vargas.O conflito envolveu, durante três meses, 135 mil brasileiros, dos quais cerca de 40 mil paulistas, a grande maioria voluntários civis, de acordo com os dados da Polícia Militar, que organizou o evento. Morreram 630 paulistas e cerca de 200 homens das tropas federais, segundo o capitão Nélson, da área de Relações Públicas da PM.
Salim era terceiro-sargento do Exército quando a revolução começou e, como todo o efetivo lotado em São Paulo, aderiu à causa constitucionalista. Foi deslocado para evitar o avanço das tropas federais na região de Buri, no sul do Estado, onde foi ferido. "Fiquei em um hospital improvisado em uma escola de Itapetininga que estava repleto de feridos", lembra. Salim ainda carrega, com as lembranças do episódio, uma bala na perna.
Escoteiros - Oswaldo Leite de Moraes tinha apenas 13 anos quando a revolução começou. Mas, como escoteiro, prestou serviços no atendimento de feridos na Cruz Vermelha. "Os escoteiros participaram ativamente servindo como ligação entre as tropas paulistas", informou o capitão Nélson, da PM. O escoteiro Aldo Chiorato, que morreu durante o bombardeio da estação de trens de Campinas por aviões das forças federais, é um dos mártires do levante constitucionalista.
Para Moraes, a luta foi válida. "Foi um movimento idealista que mobilizou toda a sociedade paulista para restabelecer a democracia", lembra. Segundo a Sociedade Veteranos de 32 -- MMDC, ainda estão vivos cerca de 200 ex-combatentes, espalhados pelo Estado. A sociedade procura manter a tradição e a mística que mobilizou a população do Estado na revolução, por meio de uma cerimônia em que os capacetes de ex-combatentes são entregues aos seus descendentes. Hoje o garoto Marcus Vinícius Emendabili de Carvalhosa recebeu o capacete que pertenceu a seu bisavô, o escultor Galileo Emendabili.


