Onze escolas levaram alunos para desfilarem na avenida Leste Oeste; policiais destacaram a importância do patriotismo para os mais jovens
Onze escolas levaram alunos para desfilarem na avenida Leste Oeste; policiais destacaram a importância do patriotismo para os mais jovens | Foto: Roberto Custódio



Para celebrar os 195 anos da Independência do Brasil foi realizado na manhã de quinta-feira (7) o Desfile Cívico Militar, que reuniu cerca de 10 mil espectadores na avenida Leste Oeste, onde 4.800 pessoas desfilaram.

Diferentemente do ano passado, que teve o tema "Educação e esporte, unindo nações e transformando cidades", neste ano a organização não quis colocar um tema específico, mas o evento abordou a situação atual do País.

No início do evento, dois ex-combatentes expedicionários da Força de Emergência das Nações Unidas, Rogério da Silva, 75 anos, e Urias Alves, 81 anos, desfilaram em um jipe. "Me sinto honrado em participar. Até um tempo atrás havia mais gente desfilando, mas eles foram mudando de endereço 'lá para cima'", lembrou Alves.

Seu colega de desfile, Rogério da Silva, relembra dos tempos em que serviu na Faixa de Gaza. "Participamos por 13 anos no Oriente Médio, onde cuidávamos de 56 km da fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel. Tinha uma média de 700 soldados brasileiros por lá de um total de 5 mil soldados de nove nações. Foi uma experiência gratificante", recordou.

O policial militar aposentado, Ernani Euzébio da Silva, 55, não desfilou e foi lá para assistir seus colegas marchando. Ele diz que esse patriotismo precisa ser resgatado. "Se valorizássemos mais isso não estaríamos com o Brasil desse jeito. Temos que resgatar o patriotismo. A participação de jovens de todas essas organizações é muito bacana", ressaltou.

Ao todo, 11 escolas levaram alunos para desfilarem. Entre os participantes estava Ismael Guilherme Borborema Lopes, 11 anos, morador do bairro Chamonix, zona leste, e aluno da Escola Maestro Roberto Pereira Panico, localizada no Jardim Belo Horizonte. Lopes é integrante da Guarda Municipal Mirim e afirma que é uma honra participar da cerimônia. "Eu nunca havia participado de um desfile antes. Foram muitos ensaios para a aprendizagem e fazer tudo certo", comentou.

REIVINDICAÇÕES
O desfile também foi marcado por reivindicações e protestos. Representando o Sindicato Nacional dos Aposentados, alguns idosos percorreram a avenida pedindo com cartazes o fim da corrupção e por mais respeito aos aposentados. Um dos cartazes relembrou que os medicamentos voltados aos animais pagam menos impostos que os pagos por eles. "O salário só dá para comprar remédio. Os aposentados estão sendo desrespeitados. Os preços na área da saúde sofreram alta em tudo, principalmente dos remédios, mas temos que pensar positivo. Mesmo com todas essas dificuldades temos muito orgulho no peito", afirmou Nadir Castelano Ferreira.

Se no ano passado o esporte foi o tema escolhido para o desfile, os esportistas também estiveram presentes na edição deste ano. O técnico de natação e da paranatação do Instituto Gonzaga Vieira, Maurício Filgueiras Arena, relata que a equipe participou do evento pela primeira vez. "É importante participar de um desfile como esse e fazer algo pelo País. Além disso, também serve para divulgar a modalidade. Durante alguns anos, Londrina ficou fora do cenário da natação e agora está voltando", ressalta.

Movimento social usou o feriado nacional para denunciar a morte de jovens na periferia, principalmente negros
Movimento social usou o feriado nacional para denunciar a morte de jovens na periferia, principalmente negros | Foto: Roberto Custódio



O grito das minorias
O desfile de Sete de Setembro também teve a presença do Grito dos Excluídos, que realiza há 23 anos, manifestações populares de integração e de articulação das pastorais sociais na Semana da Pátria.
De acordo com o Padre Joel Ribeiro Medeiros, coordenador da ação evangelizadora da Arquidiocese de Londrina, este é o 23º ano em que o Grito dos Excluídos é realizado. "Tudo o que realizamos tem como objetivo a vida. O Evangelho de João diz que Jesus Cristo veio para que todos tenham vida e em abundância. A situação a qual estamos vivendo hoje, com alto número de desempregados, faz com que as pessoas sofram com toda essa situação. Já que é o grito da independência, queremos colocar o grito das minorias, que não têm a força para poder gritar para que possam ter vida em abundância", explica.
Ele relata que a participação das pastorais e dos movimentos sociais serve para refletir, discutir e manifestar se a população quer um País melhor de fato. "O lema deste ano é a luta por direitos e democracia. As reformas que o governo vem fazendo estão tirando direitos dos mais pobres. É preciso lutar para que todos possam ter direitos e para que a reforma trabalhista e da previdência sejam discutidas objetivando o bem de todos", aponta.
Entre os participantes do Grito dos Excluídos estava o Movimento contra o Genocídio da Juventude nas Periferias de Londrina. Uma das integrantes, Flávia Fernandes de Carvalhais, diz que nos seus anos de trabalho e militância tem se deparado com um número muito alto de mortes de jovens, sobretudo de periferia e jovens negros. "Sem dúvida existe o envolvimento no contexto da criminalidade, mas a gente se depara com a questão da pobreza, com a impossibilidade de acesso aos direitos fundamentais e a violência policial também", citou.
Uma dessas vítimas fatais foi Mateus Modesto, 23, filho de Marco Modesto. "Eu estou participando do movimento para alertar e não fechar os olhos diante do momento que vive o País. A população não pode ser cúmplice da destruição de sonhos e de famílias pelos assassinatos banais dos nossos filhos. Na chacina de janeiro de 2016 perdi o meu filho Mateus. Na época, colocaram todo mundo como marginal, e isso não é verdade. Não posso concordar com o genocídio dos negros das periferias, das vítimas das guerras, da homofobia e dos acidentes de trânsito. Esse é o sentido do Grito dos Excluídos", afirma. (V.O.)

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