Desesperadas, mães buscam informações sobre os filhos
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domingo, 24 de outubro de 1999
Por natalie Antar 
São Paulo, 25 (AE) - Centenas de mães aflitas, em busca de informações sobre seus filhos, aglomeravam-se durante todo o dia de hoje na porta do Complexo Imigrantes da Febem. Algumas reclamavam da falta de higiene e maus-tratos pelos quais os adolescentes são submetidos diariamente. "Meu Deus, quero apenas saber se meu filhinho está vivo", gritava desesperadamente a doméstica Lourdes de Souza, de 46 anos. O filho de Lourdes está internado há seis meses na Febem, após participar de um assalto. "Ele é um bom garoto, só não soube escolher os amigos".
O casal de aposentados Maria, de 59 anos, e José Ramos, de 66 anos, saíram de madrugada de Jundiaí, a 60 quilôemtrso da capital, para saber notícias do neto. "Não vamos sair daqui sem informações", disse Maria. Em desvantagem, por causa da idade e de um problema na perna, Ramos tentava correr atrás dos ônibus e ambulâncias que saíam do complexo. "Quero ver se o meu neto está no meio".
Perto da grade, um pai chorava desolado a ausência do filho de 17 anos, que, segundo ele, foi usado como "laranja". "Ele pegou carona em um carro roubado sem saber". De família humilde e sem instrução, ele foi orientado pelo Ministério Público que não seria necessário contratar um advogado. O adolescente aguarda julgamento há 15 dias, recolhido no complexo. "Ele sempre foi bom e trabalhador".
Triagem - O Complexo Imigrantes é o centro de triagem de menores infratores provenientes de todo o Estado. De lá, eles são transferidos para as outras unidades, quando há vagas. Segundo funcionários da Febem, os menores não são separados por delitos. "Há ladrões de frutas que convivem com estupradores e homicidas", revela um funcionário. (Colaborou Márcia Vaisman)


