Desertificação custa US$ 42 bi
Agência Estado
Do Recife
O secretário executivo da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, Hama Arba Diallo, disse ontem que a desertificação se expande rapidamente em todo o mundo e custa muito caro para não fazer nada para combatê-la e preveni-la. Ou o mundo continua a assistir às catástrofes ou se decide a mudar, afirmou pouco antes da abertura da 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP-3), que se realiza no Centro de Convenções, em Olinda, até o dia 26.
O COP-3 reúne mais de 2 mil participantes dos 159 países signatários da convenção e foi aberto pelo Vice-presidente da República, Marco Maciel, e pelo presidente da ONU, Theo Ben Gurirab, que informou a adesão de mais dez países à convenção internacional, entre eles: Filipinas, Tailândia, Papua-Nova Guiné Austrália, Albânia, República Checa, Suriname e Trinidad Tobago.
O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, disse que o seu ministério funcionará durante toda a próxima semana no Recife, para um maior aproveitamento da troca de experiências que o COP-3 irá proporcionar.
A desertificação já afeta 30% do território mundial, atinge anualmente novos 10 milhões de hectares em todo o planeta e representa um custo anual de US$ 42 bilhões. Este montante é maior do que o que a ONU estima ser necessário para combater o fenômeno US$ 10 bilhões a US$ 22 bilhões por ano durante 20 anos. O Brasil tem 180 mil quilômetros quadrados de área em processo grave e muito grave de desertificação concentrados principalmente no Nordeste. Estima-se que somente essa região perde anualmente 400 milhões de toneladas de solo. No mundo, essa perda é de 24 bilhões de toneladas por ano.
De acordo com Sarney Filho, estudos técnicos apontam a desertificação no Brasil como a responsável por uma perda anual de US$ 800 milhões sendo necessários US$ 2 bilhões por ano, durante 20 anos, para o seu combate e prevenção.





