Desenvolvimento sustentável prevê modernização da agropecuária
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 28 (AE) - Para os especialistas da Embrapa que assinam o zoneamento do Tocantins, a grande vocação econômica do estado é agropecuária, que deve intensificar e modernizar a agricultura, investindo no plantio de pastagens mais produtivas. Fazer um desenvolvimento sustentável - com aumentos de produção e sem degradação ambiental ou depleção dos recursos naturais - é que exige mudanças de raciocínio, de tecnologias e um ordenamento territorial adequado.
No zoneamento são propostas as áreas mais adequadas para cada tipo de atividade, considerando o potencial de erosão do solo, a capacidade de resposta dos diferentes solos a vários sistemas agrícolas, clima, drenagem e outros fatores importantes. "Consideramos também novas tendências na produção agrícola e apontamos as melhores áreas para sua prática", diz Itamar Antônio Bognola, da Embrapa.
Ele exemplifica: muitas áreas do Tocantins atualmente ocupadas por pastagens e pecuária extensiva estão subaproveitadas. Precisariam de uma renovação dos pastos para dar um salto de produtividade, evitando a prática tradicional de abertura de novas áreas (com desmatamentos) para garantir rendimento econômico. "Estas áreas têm bom potencial para a produção de grãos, então sugerimos o uso de uma nova variedade de arroz de sequeiro - o arroz Kaiapó, recém-lançado pela Embrapa - para renovar os pastos", disse Bognola.
Três vezes mais produtivo do que o arroz de sequeiro comum, a nova variedade pode ser plantada por terceiros, em sistemas de arrendamento, sendo sucedida pela soja e depois pelo milho com capim colonião ou brisantão. Esta sucessão aumenta o rendimento do produtor, pode triplicar a produção de grãos no estado, ajuda a conservar o solo e ainda favorece a intensificação da pecuária, com melhora de produtividade, sem necessidade de novos desmates.
Outras sugestões do zoneamento, na linha do desenvolvimento sustentável, incluem a diversificação de culturas, com fruticultura e cultivos de maior valor de mercado, para barrar o desmatamento em regiões já degradadas e com alta densidade populacional, porém dotadas de infra-estrutura de escoamento agrícola, como a região norte do estado, no Bico do Papagaio.
Há, ainda, áreas com potencial para a irrigação. Pelo menos um milhão de hectares, ao longo do rio Araguaia, podem ser irrigados e servir a uma agricultura moderna. São solos pouco suscetíveis à salinização e à erosão, os dois maiores impactos ambientais da irrigação sem critérios, praticada em outras regiões.
"O fantástico é que as principais informações do zoneamento estão disponíveis na Internet", acrescenta Vitor Bellia, consultor de meio ambiente do Banco Mundial. "Sem sair do meu escritório, no Rio de Janeiro, ou de qualquer parte do mundo, posso consultar os mapas e sei onde não se pode abrir uma fazenda porque é área de proteção ou onde posso instalar uma indústria porque tem energia e infra-estrutura. Isso é informação empresarial de primeira linha".


