Desenvolvimento sustentável desafia ações
O financiamento do desenvolvimento sustentável é desafio nas políticas nacionais e de cooperação internacional, e implica em novos mecanismos para responder às metas fixadas pela comunidade internacional. Este foi um dos temas centrais na Conferência das Nações Unidades sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992 (a Eco-92), quando líderes mundiais adotaram acordos para estabelecer um regime internacional de cooperação que incorporasse a dimensão ambiental dentro das políticas de desenvolvimento.
A forma de financiar o desenvolvimento sustentável será assunto da Conferência Mundial marcada para março de 2002 em Monterrey (México), e constituirá um dos pontos chaves na Cúpula do Desenvolvimento Sustentável previsto também para 2002 em Johannesburgo (África do Sul).
Junto com a Declaração do Milênio, adotada pelos líderes mundiais em setembro de 2001, a Cúpula Mundial deverá ser um novo incentivo para implantar um desenvolvimento focalizado no ser humano, permitindo aproveitar os recursos naturais sem comprometer o futuro, e levar os efeitos positivos da globalização para todos os habitantes do planeta.
Na semana passada, representantes de governos e instituições financeiras da América Latina e Caribe se reuniram no Rio de Janeiro. A Folha acompanhou um dos debates organizados pela agência Inter Press Service. Abaixo, a opinião de alguns participantes.
''A reunião de Johannesburgo será oportunidade para reflexão e para dar crédito aos países em desenvolvimento que se esforçaram e para cobrar tarefas pendentes. Até 2002 quando haverá a cúpula na África do Sul teremos um mundo transformado, mas a principal conquista desde a Eco-92 foi a abertura que permitiu o trabalho com empreendedores e a sociedade civil.'' Luiz Gomes Echeverri, representante do Programa da Nações Unidas para o Desenvolvimento - Pnud
''A partir de 92, o fato mais importante foi a expansão do desenvolvimento pela globalização. Mas a pergunta que se faz é porque os compromissos e intenções de algumas convenções não foram cumpridas? A principal delas foi o aumento da pobreza no Sul gerada pela tensão entre interesses dos países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Tensão entre representantes da OMC e o objeto do acordo sobre meio ambiente. Enfim, foram criadas condições que vão contra o desenvolvimento sustentável. É preciso progredir na solução de problemas ligados ao meio ambiente e mudar o foco dos instrumentos fiscais para focar o desenvolvimento sustentável.'' Sara Larrain, representante do Programa Chile Sustentable
''Desde a reunião no Rio 92 tornou-se claro que nós podemos pensar o que está errado do ponto de vista intelectual, mas temos dificuldade de implementar o que achamos que é correto. O governo não pode por si resolver problemas mas depende de parcerias com o setor privado. Para isso deve escolher prioridades. Nossa tarefa é simples: temos que virar o esquema e afastar o comodismo a que chegamos para nos comprometermos com um projeto de ação. Dizer que todo mundo é responsável não gera compromisso. Você faz o que é importante para você, senão isso passa a ser tarefa de outra pessoa. Sem o engajamento nada irá acontecer.'' Atherton Martin, ex-ministro de Dominica (Antilhas)
A jornalista Luka Morais viajou ao Rio a convite da agência Inter Press Service.





