DESENVOLVIMENTO SOCIAL - Violência e saneamento fazem do Paraná o pior do Sul
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quarta-feira, 05 de dezembro de 2012
Lúcio Flávio Moura e Lucio Flávio Cruz <br> Reportagem Local 
Londrina - O Paraná teve o pior desempenho da região Sul no índice criado para medir o desenvolvimento social dos estados e dos municípios com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos ministérios da Saúde e da Educação.
Divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas, o Indicador Social de Desenvolvimento dos Municípios - um estudo feito pelo Centro de Microeconomia Aplicada da Escola de Economia de São Paulo com números de 2010 - colocou o Paraná na 6 posição no ranking nacional, atrás do Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Na esfera regional, o Paraná teve notas piores que os outros dois estados na maioria dos itens. No total, o Estado somou 5,51 pontos, contra 5,60 de Santa Catarina e 5,55 do Rio Grande do Sul. De uma extensa cesta de indicadores, dois deles fizeram o desempenho do Paraná cair. O primeiro é o item Habitação (coleta de lixo, energia elétrica, água canalizada, esgoto, percentual de domicílio próprio e densidade de moradores por cômodo). Neste item, o Paraná ficou em 7º lugar.
O segundo resultado negativo foi no item Saúde e Segurança (taxas de mortalidade infantil, peso dos recém-nascidos, gravidez precoce e taxa de homicídio), no qual o Paraná também figura na 7 colocação.
No caso da Habitação, o item que mais pesou no fraco desempenho foi o percentual de esgotamento sanitário. Segundo o estudo, pouco mais da metade dos domicílios paranaenses tem ligação com a rede de esgoto (52,18%).
No caso do item Saúde e Segurança, um indicador fez a diferença na nota final. Trata-se da taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Enquanto a média nacional é de 27,1 a do Paraná é de 33,5.
Mas no estudo também há números para se comemorar. Entre os seis estados de melhor classificação no ranking, o Paraná foi o que mais evoluiu em uma década. O estudo também comparou os dados de 2010 com os de 2000. O Paraná saltou de 5,40 naquele ano para 5,51 dez anos depois.
Entre os melhores colocados, além do Paraná, apenas o Rio Grande do Sul apresentou crescimento no índice, saindo de 5,54 para 5,55. São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal apresentaram queda. Santa Catarina se manteve estável.
Dois municípios do Estado se destacaram na pesquisa. Curitiba teve o melhor índice entre todas as capitais, com pontuação 6,05. Lobato (Noroeste), a campeã do Estado, alcançou nota de 6,22 (a pior do Estado, Laranjal, no Centro-Sul, obteve nota 3,46).
Com 4.401 habitantes, Lobato ficou com a 4 colocação entre os 5.565 municípios brasileiros. Entre as cidades-polo do interior, Maringá foi a melhor colocada (3), seguida de Londrina (8).
Cobertura
Procurada pela reportagem, a Sanepar, por meio da assessoria de imprensa, informou que atende 345 dos 399 municípios do Paraná. As outras cidades são atendidas por serviços municipais. Ainda de acordo com a assesoria, hoje, 63% da população são atendidos com rede de coleta de esgoto, muito acima da média nacional, que é de 38%. A Sanepar investirá cerca de R$ 2 bilhões até 2014 para ampliar essa cobertura para 72%.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública sustenta que a atual taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes foi reduzida para 28,4. ''Esta é a taxa com base no número da população indicada pelo Ipardes e se refere a 2011 (a taxa sempre é calculada levando-se em conta os últimos 12 meses). A atual gestão de governo implementou um acompanhamento de redução de metas, pelo qual o Paraná planeja chegar, em 2015, com uma taxa de 21,5 casos por 100 mil habitantes (abaixo da média nacional). Em todo o Paraná, o número de homicídios reduziu em torno de 8%, quando comparados os dez primeiros meses de 2012 com o mesmo período de 2010. A queda já era perceptível no ano passado, quando foram registrados 2.547 homicídios dolosos. Em 2011, eram 2.766'', informou a secretaria, em nota divulgada pela assessoria.



