Associated Press
De Washington
Pesquisadores norte-americanos apresentaram sexta-feira, no encontro anual da Sociedade Americana de Hematologia, em New Orleans, resultados de estudos preliminares com uma nova droga produzida para combater leucemia crônica mielóide. A STI-571, testada em 37 pacientes, conseguiu normalizar o número de glóbulos brancos no sangue em todos os participantes do estudo.
‘‘Em cada um deles, a contagem total dos glóbulos brancos no sangue voltou ao normal no prazo de um mês após o início da terapia e, em um número significativo, observamos que a causa molecular dessa leucemia começou a desaparecer’’, revelou um dos pesquisadores, o médico Brian Druker, da Universidade de Ciências da Saúde de Oregon.
A leucemia crônica mielóide, que impede a maturação normal das células sanguíneas, é mais comum em pessoas de meia-idade ou mais velhas. O principal sintoma é fadiga extrema e representa 4.300 dos 30 mil novos casos de leucemia registrados ao ano nos EUA, segundo dados da Sociedade Americana de Leucemia.
Em uma das fases da experiência, os pacientes com essa forma de leucemia em estágio inicial, que não responderam bem ao tratamento tradicional com interferon, receberam diariamente STI-571 na forma de pílula. Na maioria dos que receberam doses de 200 mg ou mais, a contagem de glóbulos brancos caiu ao nível normal, disseram os pesquisadores. Segundo Druker, em 31 pacientes a causa molecular que provoca esse tipo de leucemia começou a desaparecer quando foram usadas doses de 300 mg ou mais e a contagem de glóbulos brancos permaneceu normal por oito meses.
Ao contrário de tratamentos tradicionais, como quimioterapia, que matam tanto células anormais como as sadias, a STI-571 ataca especificamente uma enzima encontrada só nas células cancerosas da leucemia. Isso significa que os pacientes sofrem efeitos colaterais mínimos. Acredita-se que uma enzima (tirosina cinase) causa mais de 97% de todos os tipos dessa leucemia.
A STI-571 poderá tornar-se o primeiro tratamento importante para esse tipo de leucemia desde que o interferon – proteína natural que recupera o sistema de defesa – começou a ser usado como tratamento, em 1986.
Os pesquisadores ainda não sabem se os efeitos da nova droga vão durar ou se o câncer desenvolverá algum tipo de resistência, mas afirmam que é um importante estudo, mesmo que se descubra que seus resultados têm vida curta.

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