Desentendimento reforça possibilidade de rompimento
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 04 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), e o presidente nacional da legenda, Leonel Brizola, podem estar próximos do rompimento. O problema ficou evidente ontem (03) à noite na reunião do conselho político do partido na qual Garotinho foi chamado de mentiroso pela deputada estadual Cidinha Campos. Depois de quatro horas, o encontro, marcado pela tensão, discussões ásperas e acusações, na sede da legenda, acabou sem acordo.
Garotinho chegou à reunião, no Edifício Orly, no centro do Rio, aparentando nervosismo. "Vão ter que me dizer pela frente o que falam de mim pelas costas", declarou. Fechadas as portas, o governador teve de ouvir cobranças de Brizola, que repetiu críticas que lhe fizera pelos jornais -como a de incorporar ao governo um inimigo do partido, Sérgio Zveiter, secretário de Justiça- e acusou Garotinho de auto-suficiência.
O governador foi muito criticado por seus métodos -atuar sem ouvir o partido- e por sua suposta falta de habilidade no relacionamento político. Com Cidinha, o bate-boca aconteceu por que a deputada acusou Garotinho de ter provocado a sua demissão da Rádio Tupi, onde a parlamentar tinha um programa. Houve dedos em riste dos dois lados, o governador devolveu a acusação, chamando Cidinha de mentirosa e a deputada afirmou que o governo estadual tem corrupção. "Foi muito ruim", resumiu um dirigente pedetista.
Garotinho defendeu o seu governo e enfrentou Brizola. "O senhor não terá um submisso, mas um adversário no PDT", disse. O governador saiu antes do fim da reunião. "Minha postura foi clara: não saio do PDT, e acabou."
Hoje, Garotinho negou que tivesse marcado reunião com os representantes do PMDB. Brizola, que ao fim da reunião aparentava cansaço, fez um aceno de paz, "da minha parte existe uma trégua em relação a Garotinho".


