Paris - Fragmentos de ocre vermelho decorados achados há uma década em uma caverna sul-africana permitem pensar que o Homo Sapiens desenvolveu uma forma de inteligência conceitual várias dezenas de milhares de anos antes do que se pensava, segundo os resultados da pesquisa de uma equipe internacional de cientistas.
Os pesquisadores se centraram em pedaços de osso e fragmentos de ocre gravados de forma geométrica, que davam testemunho irrefutável do aparecimento precoce de um comportamento ‘‘moderno’’. Essas manifestações artísticas e simbólicas são reveladoras desse comportamento, destacou ontem uma entidade científica francesa.
Os pesquisadores do Laboratório das Ciências do Clima e do Meio Ambiente (LSCE) francês e seus colegas britânicos, americanos e sul-africanos confirmaram a antiguidade desses objetos, que se remontam a 77 mil anos. As primeiras avaliações da antiguidade mediante o método do carbono 14 apenas estabeleciam uma idade superior aos 40 mil anos para esses objetos.
A idade dos objetos encontrados em Blombos, a 300 km ao leste de Cidade do Cabo, foi estabelecida com o método da termoluminiscência. Esse procedimento se aplica aos minerais silíceos, que acumulam durante o tempo que passam enterrados uma dose de radiação devida à retroatividade natural. A dose acumulada permite avaliar o tempo passado e esta técnica apresenta o interesse, ao contrário do carbono 14, de se remontar a várias centenas de milhares de anos.
O ocre era utilizado para a proteção da pele humana e para o curtido. Na caverna de Blombos, descoberta há cerca de dez anos, se acharam oito mil fragmentos.

mockup