Desemprego volta a crescer em São Paulo
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 24 (AE) - O desemprego voltou a crescer em janeiro na Grande São Paulo, depois de quatro meses de queda, e os rendimentos dos trabalhadores encolheram novamente, segundo a pesquisa do convênio Dieese-Seade. Trata-se de um mau começo, que preocupou o diretor-executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. "Estamos iniciando um ano de crise com níveis de desocupação e de renda mais graves do que no ano passado", afirmou. Em janeiro de 1998, a taxa foi de 16,6% da população economicamente ativa, e em janeiro deste ano de 17,8%.
O índice de desemprego foi resultado do fechamento de 123 mil postos de trabalho em relação ao estoque de empregos apurado na pesquisa de dezembro. O número de desempregados em 12 meses cresceu 8,8%. Eles já somam na Região Metropolitana 1,539 milhão de pessoas, 125 mil a mais do que em janeiro de 1998. Para um crescimento da PEA de 1,5% no ano, o número de postos de trabalho ficou estagnado.
Serviços em baixa - O setor que mais desempregou no último mês foi o de serviços, que durante todo o Plano Real compensou em parte o fechamento de postos em outros setores, que passaram por profunda reestruturação (caso da indústria). Mas sua capacidade de tornar o mercado de trabalho mais dinâmico parece ter chegado ao fim, de acordo com o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça.
O setor de serviços fechou 157 mil empregos. Os de construção civil, serviços domésticos e outros fecharam 15 mil. O comércio abriu 37 mil ocupações e a indústria 12 mil. Mas tendência do comércio e da indústria é de desempregar nos próximos meses por causa da baixíssima atividade econômica.
A ampliação mais expressiva da desocupação foi entre homens (aumento de 5,9% em relação ao mês anterior), entre pessoas de 25 a 39 anos (+4,4%) e chefes de domicílio (+3,9%). Esse é um indicador social muito ruim porque tem a ver com a capacidade de sobrevivência da população. Quando o desemprego maior se dá entre jovens ou pessoas não responsáveis pelo sustento do lar, a gravidade do índice é menor.
A duração média do período de procura por trabalho já é de 37 semanas, quatro semanas a mais do que em janeiro do ano passado. Um dado interessante da pesquisa e que passa pela atividade econômica: 17,7% dos assalariados da indústria declararam não ter trabalhado nos sete dias anteriores à entrevista. Eles estavam afastados, em férias normais, férias coletivas ou licenças remuneradas.
ABC - A baixa atividade na indústria deve ficar mais clara hoje, com a estréia da divulgação de dados específicos da região do ABC, ainda fortemente impulsionada por esse setor. Dados de emprego, desemprego e renda dos sete municípios serão apresentados pelo convênio Seade-Dieese. Mendonça não adiantou resultados, mas disse que o desemprego no ABC é mais alto do que a média da Grande São Paulo - algo mais próximo da temida marca de 20% de desocupação.


