Desemprego tem forte alta e bate em 22% no ABC Paulista
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Liliana Pinheiro 
Santo André (SP), 27 (AE) - O desemprego no ABC Paulista sofreu forte aceleração em abril e atingiu 22% da população economicamente ativa (PEA) da região, correspondente a 1,1 milhão de trabalhadores. No total, 256 mil pessoas estão sem emprego, segundo a pesquisa Seade-Dieese, realizada em convênio com o Consórcio Intermunicipal da Bacia do Alto Tamanduateí e Billings.
Em apenas 30 dias, o índice cresceu 4,3% - mais que o dobro do aumento verificado na região metropolitana de São Paulo
onde 20,3% da PEA está sem ocupação. A divulgação da pesquisa foi feita pelo gerente de análise de dados e estudos especiais da Fundação Seade, Sinésio Pires Ferreira.
A aceleração da taxa, de acordo com o economista, deveu-se em parte ao aumento de 3% do número de trabalhadores no mercado, mas principalmente ao comportamento do comércio, que eliminou 17 mil postos de trabalho no mês.
O desempenho negativo do comércio já dura três meses e traz um paradoxo embutido: são justamente os comerciários que estão fazendo o maior número de horas extras. Nada menos que 64 4% dos assalariados do setor declararam ter trabalhado mais do que a jornada legal em abril, um aumento de 0,2 ponto porcentual em relação a março.
A indústria regional, onde 36,8% dos assalariados declararam ter feito horas extras, fechou 4 mil postos no período.
Como consequência do aumento do desemprego no ABC, que já dura cinco meses consecutivos, a renda dos trabalhadores ocupados (formais ou informais, assalariados ou não) sofreu recuo de 2,3%, A maior queda no rendimento médio real dos ocupados foi registrada no setor de serviços (-4%), o que é típico em momentos de recessão. Neste caso, o dado é de março.
Houve queda ainda da massa de rendimento da região. A massa é a soma de todos os rendimentos provenientes unicamente do trabalho e influi muito no nível de consumo. A retração, no caso dos assalariados, foi de 6,4% no primeiro trimestre do ano - 3,5% apenas no mês de março.
Ferreira prevê novo aumento do desemprego no ABC no mês de maio, embora em ritmo um pouco menor do que o registrado em abril.


