São Paulo, 23 (AE) - O índice de desemprego nos sete municípios do ABC Paulista em março alcançou 21,1%, ante 20,6% em fevereiro. O resultado foi divulgado hoje pelo convênio Seade-Dieese, em conjunto com o Consórcio Intermunicipal da Bacia do Alto Tamanduateí e Billings, e significa que a desocupação na região avançou 2,4%, passando a atingir 245 mil pessoas, 9 mil a mais do que no mês anterior.
Apesar do agravamento do quadro, a analista da Fundação Seade, Sandra Brandão, esclareceu que isso foi menos intenso do que na Grande São Paulo como um todo, onde o desemprego aumentou 6,4%.
A indústria no ABC continuou desempregando - foram 6 mil postos fechados num único mês -, mas não tão intensamente quanto na cidade de São Paulo e municípios vizinhos, que juntos eliminaram 22 mil empregos. Já o comércio regional, eliminou 9 mil postos.
Acordos - O economista da subseção do Dieese do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Osvaldo Cavignato, atribuiu essa menor aceleração de demissões nas indústrias da região aos acordos sindicais que previram mecanismos para enfrentar a crise
especialmente na cadeia automotiva. Há acordos na Volkswagen e na Ford, por exemplo.
Além disso, a redução de impostos para os veículos incentivou a produção de toda a cadeia do setor - de autopeças a componentes plásticos e de borracha.
No geral, o ABC teve saldo positivo de empregos porque o setor de serviços criou 24 mil ocupações. Contudo, lembrou a economista Sandra, o índice de desemprego acabou crescendo porque também a força de trabalho se ampliou no mês. No total, houve um saldo 6 mil postos de trabalho, mas a população economicamente ativa (PEA) em março registrou 15 mil pessoas a mais.
A região também está em situação melhor em relação à massa de rendimentos, que na Grande São Paulo teve queda expressiva. No ABC, a soma de todos os rendimentos do trabalho em fevereiro se manteve estável em relação à janeiro.
A redução do rendimento real médio dos ocupados foi de 0 4% na região. Na Grande São Paulo, foi de 2,0%, o que mostra que também aí o ABC está suportando melhor a recessão.

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