Desemprego sobe a 18,7% na Grande São Paulo em fevereiro
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 23 (AE) - O desemprego na Grande São Paulo aumentou de 17,8% da população economicamente ativa (PEA) em janeiro para 18,7% em fevereiro, segundo pesquisa divulgada hoje pelo convênio Seade-Dieese. A recessão dos últimos meses já está se traduzindo na quantidade de postos de trabalho fechados: foram 84 mil da indústria, do comércio e do setor serviços.
"O resultado está refletindo os meses de atividade econômica negativa, mas ainda não captou a mudança na política cambial", explicou o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. A tendência, segundo o economista, é de piora do mercado de trabalho até maio ou junho, pelo menos.
Eventual melhora dos quadro, especialmente por conta do incremento de exportações, fruto da desvalorização do real, ficam para o segundo semestre, segundo sua expectativa.
A indústria, nos 28 dias de fevereiro, reduziu 3,2% seu estoque de empregados. O comércio reduziu 1,2% e o setor de serviços, 0,8%. Com isso, o número de desempregados deu um salto considerável: de 1,539 milhão em janeiro para 1,615 milhão no mês passado. Ao todo, há 76 mil novos desocupados na Região Metropolitana.
Na comparação com janeiro, o índice de desemprego aumentou 5,1%, dado não desprezível, segundo Mendonça, especialmente porque não foi pressionado pelo fato de mais gente eventualmente declarar estar procurando emprego (o índice resulta de uma relação entre postos disponíveis e quantidade de gente no mercado de trabalho, empregada ou procurando emprego).
Ao contrário, a PEA caiu de 8,647 milhões de pessoas em janeiro para 8,639 milhões, possivelmente porque a crise está desmotivando desempregados a se lançarem em busca de nova colocação. "Se a PEA tivesse aumentado, a taxa de desemprego teria sido maior ainda", disse.
Precários - Nesse primeiro momento de recessão, estão perdendo seus empregos principalmente pessoas com relações precárias de trabalho, sem registro em carteira. Segundo a pesquisa, houve declínio de 7,3% no assalariamento sem carteira assinada. Entre os autônomos, a reduão da ocupação foi de 1,2%.
A massa de rendimentos - soma de tudo o que se ganha no trabalho - também refletiu o período recessivo pelo qual o País está passando. Caiu 0,8% para os ocupados, situação que também tem tendência a piorar nos próximos meses.


