São Paulo, 24 (AE) - O desemprego na Grande São Paulo finalmente parou de aumentar. Em maio, o índice manteve-se em nível idêntico ao do mês anterior: 20,3% de uma População Economicamente Ativa (PEA) estimada em 8,9 milhões de trabalhadores, segundo pesquisa divulgada hoje pelo convênio Seade-Dieese. Trata-se de um tipo ruim de estabilidade, pois foi registrada no pico histórico da desocupação, que já atinge nada menos do que 1,822 milhão de pessoas na região, como lembrou o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco.
Mas, segundo o economista, a interrupção da trajetória de crescimento do índice aumenta a esperança de que as sucessivas quedas nas taxas de juros, as políticas públicas de emergência (frentes de trabalho) e o impulso para a produção brasileira decorrente da desvalorização cambial estejam finalmente abrindo perspectiva de melhora na ocupação, a partir deste mês e no segundo semestre.
Além disso, há um outro recorde bastante positivo. Em 14 anos de pesquisa, nunca a região metropolitana criou tantos postos de trabalho. Foram 130 mil em maio, dos quais 25 mil na indústria, 97 mil no setor de serviços e 16 mil na construção civil, serviços domésticos e outros. Já o comércio fechou 8 mil postos no período.
Com tantos novos postos na economia, o índice de desocupação deveria ter caído. Isso não aconteceu porque o número de pessoas que decidiu se apresentar no mercado foi o segundo maior da história da pesquisa.
Foram 164 mil novos candidatos. O aumento da PEA, para Martoni Branco, é um indicador negativo. Sua interpretação é de que o aumento brutal do desemprego para chefes de família - de 24,3% este ano - está jogando mais jovens e donas de casa num mercado ainda deprimido. Outra explicação é que a renda está em queda livre desde janeiro. Assim, membros secundários na família
do ponto de vista de formação de renda, também tentam se colocar em busca de complementação dos orçamentos domésticos. Por fim, há um componente mais ameno nesse anormal aumento da PEA. Para Martoni Branco, a população está respondendo aos sinais positivos de recuperação da atividade econômica. Em abril de 1996, a pesquisa registrou o número mais expressivo de pessoas se incorporando à força de trabalho - 189 mil - também em parte por essa motivação. Na época, o Brasil estava começando a respirar mais aliviado, depois de séria instabilidade no mercado internacional, causada pela crise do México.
Precariedade - Para o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, se nenhuma nova crise internacional se abater sobre o Brasil, é certo que o desemprego cederá um pouco no segundo semestre. Nada a ser muito comemorado, mas haverá uma reversão de tendência. Resta saber o tipo de emprego que será oferecido aos brasileiros.
A marca inédita de 130 mil ocupações criadas em maio, por exemplo, deu sinais de que ninguém deve esperar coisa muito boa, mas sim postos cada vez mais precários. Dos 25 mil novos empregos oferecidos pela indústria no mês passado, por exemplo, apenas 15 mil - 20% - eram com carteira assinada. Nos demais setores, a fórmula se repetiu.

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