A evolução dos índices de desemprego vai continuar sendo, em 1998, o maior pesadelo dos brasileiros que têm carteira de trabalho assinada. Os mecanismos de proteção para a manutenção do emprego, deverão ser o mote das negociações entre patrões e trabalhadores e, com certeza, produzirão efervescente mobilização dos meios sindicais. A crise de confiança a que o Brasil foi submetido por conta da turbulência nos países asiáticos e porque o próprio Governo não foi politicamente correto ao deixar de fazer sua lição de casa, produziu efeitos que geraram controvérsias e desinformações no meio empresarial e em todos os segmentos econômicos do País.
O panorama parece sombrio e a paisagem que se avizinha é nebulosa, mesmo para os mais otimistas e privilegiados observadores e analistas da conjuntura político-econômica nacional. O Brasil rompe um novo ano sob o signo de muitas desconfianças e poucas certezas.
Por exemplo: como se processará a política de redução gradual dos juros anunciada por Fernando Henrique e sua equipe econômica durante reunião do Mercosul no Uruguai? Esta pode ser a boa notícia: afinal, a elevação dos juros foi o remédio mais amargo imposto pelo pacote de novembro.
Juros, reformas, Custo Brasil, crescimento econômico, desemprego - sem dúvida essas continuarão sendo as questões que estarão nas cabeças de governantes, políticos, empresários e trabalhadores.
Pode não ser solução, muito menos uma rima. Mas, o Governo tem pelo menos uma poderosa carta-resposta na manga para tanta indagação. Ou melhor, duas. A primeira, na forma de um cheque em branco cujo valor pode chegar a 25 bilhões de reais, estimativa da arrecadação recorde com o programa dos leilões da privatização em 98. Seria quase 50% a mais do que o apurado em 97. A segunda carta foi jogada na mesa de FHC pelo Congresso, que aprovou o maior orçamento da década, 438 bilhões de reais à disposição do presidente para investimentos em programas governamentais em pleno ano eleitoral. ‘‘O presidente pediu e recebeu o orçamento que queria e no prazo certo, o que não acontecia há oito anos’’, comemorou o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, uma das bases do tripé de sustentação do governo federal.
Boa parte dos recursos do orçamento deverá ser destinada para o programa que é o carro-chefe do governo tucano, o ‘‘Plano Brasil em Ação’’, conjunto de obras de infra-estrutura previstas para serem concluídas nos últimos três meses de 98, período que marcará a disputa decisiva das eleições presidenciais.

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