Caracas, 21 (AE-DOW JONES) - O desemprego na Venezuela subiu para 20% em maio, segundo números divulgados hoje (21) pela Confederação de Trabalhadores da Venezuela. Freddy Irriarte, secretário da confederação, disse que a recessão do país, iniciada no ano passado, se intensificou este ano e houve um aumento do índice de desocupação de mais de quatro pontos entre janeiro e maio.
Nos cinco primeiros meses do ano, 125 mil pessoas foram demitidas do setor de construção. No setor manufatureiro, 100 mil perderam emprego e na indústria petrolífera, outras 12 mil. O setor bancário e financeiro deixou sem emprego 3 mil venezuelanos e o agrícola, também 3 mil pessoas.
Leopoldo Puchi, ministro do Trabalho, disse que o governo do presidente Hugo Chávez pensa em demitir 50 mil funcionários públicos nos próximos quatro anos para reduzir os gastos do governo. O país tem 948.684 funcionários públicos.
Além de afetar profundamente o emprego, a recessão está reduzindo a corrente de comércio venezuelana com o exterior. As importações encolheram 30% em janeiro e as exportações não tradicionais da Venezuela diminuíram 27% no primeiro trimestre, informou ontem o departamento oficial de estatísticas da Venezuela, o Ocei.
Em janeiro, as importações venezuelanas totalizaram US$ 923 milhões ante US$ 1,318 bilhão no mesmo mês de 1998. As exportações não tradicionais da Venezuela, que excluem as vendas de ferro e petróleo, recuaram para US$ 867 milhões no primeiro trimestre, uma baixa de 26,7% em relação ao período entre janeiro e março do ano passado. Os dados do Ocei são provisórios.
Apenas em março, as exportações não tradicionais recuaram para US$ 344 milhões, uma queda de 21,1% em relação ao mesmo mês de 1998, quando as vendas foram de US$ 436 milhões.
Os parceiros comerciais mais ativos com a Venezuela foram os Estados Unidos e a Colômbia. Os EUA foram a principal origem das importações venezuelanas em janeiro, respondendo por compras de US$ 415 milhões. A queda em relação a janeiro de 1998 foi de 33 6%. Os norte-americanos compraram US$ 265 milhões em janeiro, queda de 11,1% em relação ao mesmo mês de 1998.
O governo venezuelano deverá elevar sua captação externa em US$ 3,8 bilhões este ano para cobrir o déficit fiscal provocado pela baixa nos preços do petróleo, informou hoje a ministra da Fazenda da Venezuela, Maritza Izaguirre.
A captação total prevista para este ano, incluindo emissões internas de dívida e empréstimos dos organismos financeiros internacionais, será de US$ 4,3 bilhões. O financiamento do déficit fiscal venezuelano inclui a emissão de US$ 2 bilhões em bônus internacionais.

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