Desemprego na Grande SP cai pela primeira vez em 99
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quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 22 (AE) - O índice de desemprego na Grande São Paulo caiu pela primeira vez este ano, e a tendência é que continue cedendo. Senão em todos os meses do segundo semestre, pelo menos na maior parte deles. A boa notícia foi dada hoje durante a divulgação da pesquisa do convênio Seade-Dieese. O índice de desemprego em junho foi de 19,9% de uma população economicamente ativa (PEA) estimada em 8,967 milhões de trabalhadores. Em maio, o índice havia se mantido no recorde de 20,3% na PEA.
Para o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, tudo indica que a fase de recordes negativos acabou. Contudo, ele não espera recuperação muito grande do mercado de trabalho este ano. "O desemprego deve cair, mas discretamente", afirmou.
A taxa média de desocupação no ano passado foi de 18,3%. Este ano, também na média, dificilmente o índice será menor, segundo o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco, mesmo que o segundo semestre seja de bom desempenho do PIB.
A pesquisa de junho trouxe resultados muito favoráveis e outros bastante preocupantes. A indústria, por exemplo, mostrou grande capacidade de recuperação, certamente em razão da gradual queda de juros, em curso desde março. O setor, sozinho, criou 64 mil postos de trabalho no mês passado.
O lado ruim foi a constatação de que esses postos não são aqueles típicos de tempos passados: assalariados e com carteira assinada. Dos 64 mil empregos, apenas 15 mil podem ser considerados de qualidade - outros 21 mil são sem carteira (informais) e 19 mil foram destinados a autônomos.
Em todos os setores foram criadas 31 mil ocupações. É que o bom resultado da indústria acabou sabotado pelo desempenho do comércio, que eliminou sozinho 31 mil empregos no mês.
Em 12 meses, lembrou Mendonça, o comércio reduziu 11,2% o seu nível de ocupação - 2,8% somente entre maio e junho deste ano. "O setor está em processo de reestruturação, o que somado aos movimentos de fusão de negócios e de falência de outros, está resultado em desemprego crescente."
O setor de serviços, novamente, fechou postos, num total de 4 mil, continuando trajetória de perda de fôlego que já dura mais de um ano. A volta do crescimento da economia pode melhorar esse quadro, mas ainda há muita incerteza, segundo Mendonça. Outros setores criaram 2 mil ocupações.
A quantidade de desempregados no mercado - 1,784 milhão em junho - continua se traduzindo por um tempo cada vez mais longo dispendido pelos trabalhadores na procura por uma nova ocupação. Em maio, o tempo registrado pela pesquisa foi de 42 semanas. Em junho, de 44 semanas.
Renda - Junto com o aquecimento da economia, veio a reação da renda, que aumentou um pouquinho na Grande São Paulo em maio - os dados de rendimento são sempre divulgados com um mês de atraso em relação aos de emprego. O rendimento médio real dos ocupados aumentou 0,6%, passado a corresponder a R$ 831, após três meses com redução.
O resultado decorreu de recuperação de ganhos de autônomos e não assalariados. Já entre os assalariados, houve novo declínio, de 0,5%, puxado principalmente pelo setor privado (redução de 0,8%).
Os economistas do Dieese e da Fundação Seade não arriscaram previsões sobre o comportamento da renda daqui para frente. Por um lado, a inflação mais alta deve corroer ainda mais os ganhos dos trabalhadores.
Contudo, a recuperação econômica pode trazer benefícios para empregados informais, autônomos, trabalhadores do setor de serviços e outros com maior flexibilidade de remuneração.


