Desemprego na Argentina sobe 270% entre 1991 e 1999
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quinta-feira, 12 de agosto de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 13 (AE) - A taxa de desemprego na Grande Buenos Aires, onde moram quase 12 milhões de pessoas, chegou a 21,1% em junho, a mais alta da Argentina. Comparando com o índice de 1991
quando o presidente Carlos Menem assumiu a Presidência, a taxa de desocupação no país subiu 270%, passando de 5,7%, naquele ano
para os 21,1% atuais.
Mas essa região da Argentina apresenta ainda outros índices negativos. Quase a metade dos assalariados trabalha na informalidade e a insatisfação no emprego é tanta que a metade dos ocupados busca outro emprego porque ganha muito pouco. Uma das razões atribuídas ao alto desemprego na Grande Buenos pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) é a migração das pessoas do interior do país em busca de melhor sorte na região metropolitana.
Pesquisa recente do Indec mostra que a Grande Buenos Aires não é apenas uma ampla região de contrastes. Em determinados distritos, por exemplo, os indicadores socio-econômicos são mais negativos do que no interior do país. Segundo o Indec, 40% das pessoas que moram nesses distritos têm menos de 19 anos. Com isso, o impacto do desemprego ou do trabalho informal na família é mais profundo, já que ela implica maiores privações para a criança e para o adolescente, além de uma "pesadíssima" hipoteca para o futuro.
A pesquisa mostra ainda que essa região vem apresentando recordes de empregos informais. No último ano, por exemplo, 75% dos empregos criados na capital e na Grande Buenos Aires foram informais. Dos 58.422 postos de trabalhos criados este ano, quase 44 mil não pagam aposentadoria e muito menos direitos sociais. Os mais afetados são os jovens e as mulheres.
Enquanto o emprego informal chega a 35% entre os homens, nas mulheres supera os 40%. Já entre os jovens, a situação é mais crítica. Pelo menos 50% entre os trabalhadores de 18 a 24 anos não têm seguro social. O Indec diz ainda que, embora os custos trabalhistas tenham caído sistematicamente desde 1991, 37,4% dos assalariados nessa região foram contratados sem direitos trabalhistas (aposentadoria, seguridade social, seguro desemprego e pensão por invalidez ou falecimento) e ainda ganham 45% menos do que um trabalhador registrado.
Desde a entrada em vigor do Plano de Conversibilidade, em março de 1991, o trabalho informal no país subiu de 27,6% para 37,4%. Recente cálculo feito pelo Ministério de Economia mostra que, no país - onde existem 9,4 milhões de assalariados -, os empregados não declarados ou informais somam 3,6 milhões de pessoas. Isso significa que o emprego informal na Argentina chega a 38,2%.
De acordo com o Indec, o aumento do trabalho informal contrasta com a queda do custo trabalhistas das empresas, já que
desde a Convertibilidade, esse custo teria caído cerca de 30%, em função das sucessivas reduções dos aportes, do barateamento do seguro de acidentes de trabalho, da implementação de convênios coletivos mais flexíveis e da própria redução do salário. MAIS DEMISSÓES - As empresas privadas localizadas em Buenos Aires e nos distritos mais próximos demitiram cerca de 13 mil pessoas em julho, em relação ao mês anterior, de acordo com a Sociedade de Estudos Trabalhistas. Isso representa uma queda de 0,6% nos postos de trabalho. Comparada com julho do ano passado, entretanto, a queda é de 6,4% ou o equivalente a 104 mil empregos, diz a entidade.


